Oração e jejum pela Pátria

A Semana Santa deve ser marcada por uma atitude mística e ascética, pelo arrependimento, pelas orações, pelo jejum, pela caridade para com os necessitados. Essa atitude nos edifica espiritualmente, e marca a nossa trajetória como cristãos para o resto do ano. Essa atitude deve deixar de ser genérica e descer à concretude da vida, inclusive nossa vida como cidadãos dos reinos terrenos como embaixadores do Reino de Deus.

O quadro de injustiças, de subvida, de carências, de violência, de explorações e exclusões, de privilégios, é uma marca lamentável do nosso país. Não faltam motivos para arrependimento nesse país. Não faltam motivos para orações e jejuns, muito menos de atos de caridade. Não faltam motivos para sacos e cinzas, fora e dentro da Igreja, embora isso não seja percebido por quem está hoje passeando nas praças da alimentação ou agradecendo pela prosperidade nos templos de alguns “apóstolos”.

A esperança no Messias passa pela qualidade e pela ação responsável da comunidade Messiânica, a Igreja.

Com eleições gerais à vista, há muita gente esperando para depositar a sua fé em algum(a) “messias”, e nunca antes na história desse países os mesmos estão tão escassos…

Vocês prestaram a atenção para os pronunciamentos recentes do Serra, do Ciro e da Marina: “nós somos melhores Dilmas do que a Dilma, pois somos mais honestos, mais eficientes, e faremos mais ajustes no modelo (Collor) FHC-Lula do que ela”. Enquanto que a própria candidata de algibeira, apenas se apresenta como uma Lula de saias e com curso superior. Não há uma crítica profunda dos erros, não se aponta com coragem para as distorções, para os problemas. Faz-se uma crítica débil ao modelo no sistema, mas não uma crítica (com alternativas) ao modelo e aos sistemas. Talvez isso seja a tarefa profético-pedagógica de candidatos de alguns pequenos partidos. Algumas das “alternativas” são apenas retrocessos, versões pioradas do que aí está. Estaremos condenados ao “ruim com ela, pior sem ela?…”.

O domínio do Império é tranquilo. As elites dominantes dormem em paz em seus privilégios em uma (des)ordem de injustiças, porque o tetro eleitoral será entre assemelhados, nada mudando para eles (nem para os excluídos) ganhe quem ganhar. Que triste quadro! A alienação, com a orquestração da imprensa-empresa é quase total, inclusive entre os letrados.

A nós nos restam a mensagem da cruz e o caminho da cruz, ante Herodes e ante César!

Robinson Cavalcanti, bispo anglicano.

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