Vítimas da violência serão atores da Paixão de Cristo

Vítimas da violência serão  personagens da Paixão de Cristo / Foto de Cleber Júnior

Reza a fé cristã que Jesus sofreu para salvar a humanidade. Quase dois mil anos depois, a Paixão de Cristo será encenada por pessoas que também sofreram, mas com a violência e a perda de entes queridos vitimados pela criminalidade do Rio de Janeiro. No coração de Sirlei, Carmen, Tânia, Iracilda e Carlos, há marcas tão fortes quanto às que flagelaram o filho de Deus. Carregados por esta emoção, eles vão se juntar a 150 atores, um coral de 70 vozes e uma orquestra com 50 componentes para retratar os últimos momentos de Jesus, em oito palcos. A apresentação gratuita acontece às 20 horas deste domingo, dia 28, no Vicariato de Jacarepaguá, Estrada do Capenha, número 856, no Pechincha. No fim da representação, os familiares subirão ao tablado com as fotos das vítimas da violência.

Sirlei Dias de Carvalho: Foi espancada por cinco jovens de classe média, no dia 24 de junho de 2007, na Barra da Tijuca. Sirlei tinha acabado de sair do trabalho, às 4h50m, quando foi agredida pelos rapazes, na Avenida Lúcio Costa. Ela ainda teve a bolsa roubada pelos garotos, que achavam que ela era uma prostituta. Na mesma noite, uma garota de programa também teria sido agredida pelo mesmo grupo. Os cinco rapazes foram presos acusados de formação de quadrilha e tentativa de latrocínio. Dois meses depois, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu habeas corpus a Felippe de Macedo Nery Neto, que não teria saído do carro durante as agressões. Sirlei vai interpretar Maria Madalena, a prostituta apedrejada.

Carmen Gilson: Mãe do estudante Ricardo Augusto Mota Gilson, de 22 anos. Dependente de drogas, ele foi preso em flagrante num assalto, em 1998. Condenado a oito anos de prisão, Ricardo cumpria pena no Hospital Henrique Roxo, em Niterói. Em abril de 1999, foi encontrado morto, com escoriações e hematomas pelo corpo. Os principais suspeitos são agentes penitenciários. O inquérito ficou parado durante mais de um ano e, até hoje, não apontou os culpados: “Eu fiquei indignada com a atuação da Justiça, pois houve muito tempo para atuar no caso.”

Tânia Lopes: Irmã do jornalista Tim Lopes, assassinado por traficantes da Vila Cruzeiro, na Penha, em 2 de junho de 2002. Tim era repórter da TV Globo e estava trabalhando para denunciar a prostituição infantil em bailes promovidos pelo tráfico. Ele foi levado para o topo da Favela da Grota, no Complexo do Alemão, torturado e morto por traficantes. Seu corpo foi queimado e encontrado dez dias depois na Pedra do Sapo, localidade controlada por Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco. Traficantes ligados ao bandido afirmaram que Maluco teria matado Tim Lopes com uma espada do tipo ninja. “A luta do meu irmão por melhores dias não pode esmorecer”, ressalta Tânia Lopes.

Iracilda Toledo: Mulher do ferroviário Adalberto de Souza, uma das vítimas da Chacina de Vigária Geral. Em 29 de agosto de 1993, 21 moradores da favela, situada no limite entre a Zona Norte do Rio e o município de Duque de Caxias, foram assassinados por um grupo de policiais encapuzados, que pretendiam vingar a morte de colegas pelo tráfico local. Na Paixão de Cristo, Iracilda Toledo, que é presidente da Associação dos Familiares das Vítimas da Chacina de Vigário Geral, será Verônica, a mulher que limpa o rosto de Jesus e deixa suas feições marcadas no Santo Sudário. “Infelizmente, a violência só fez crescer. Já houve outras chacinas e a segurança pública está ruim, pois quem deveria cuidar de nossas vidas as está tirando.”

Carlos Santiago: Pai de Gabriela Prado Maia, de 14 anos, morta por uma bala perdida na estação São Francisco Xavier do metrô, em 25 de março de 2003. Gabriela deixou a casa da avó, na Rua São Francisco Xavier, na Tijuca, para encontrar a mãe, na Praça Saens Peña. Ao entrar na estação, ficou no meio do fogo cruzado entre policiais e quatro bandidos que tentavam assaltar a bilheteria. A menina foi atingida por um tiro no peito e morreu no local. Santiago também perdeu a mulher, Cleyde Prado Maia, fundadora do movimento Gabriela Sou da Paz, devido ao um acidente vascular cerebral causado por hipertensão. “Não podemos desistir da luta. É difícil ter força, mas o movimento é maior do que todos nós.” Carlos vivirá Cirineu, um dos homens obrigados a carregar a cruz de Jesus.

fonte: Extra

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