Eleições 2010: A Grande Imprensa como “Partido de Oposição”

Durante o nosso período monárquico (1822-1889) a nossa imprensa seguia o modelo europeu, com cada jornal assumindo abertamente a sua posição política, ideológica ou partidária. Em quase todas as Províncias do Império do Brasil, por exemplo, havia um jornal do Partido Liberal, ainda hoje subsistindo no Estado do Pará. Esse modelo continua sendo adotado no Velho Mundo até os nossos dias. Isso favorece a opção do comprador-leitor, e é muito mais honesto e transparente.

Com a República, fomos, progressivamente, trocando o modelo europeu pelo norte-americano, do jornal-empresa, aparentemente “neutro”, mas, no geral, formando todos um cartel ideológico dos grupos dominantes. Se hoje mais de 80% da opinião pública nacional é formada por apenas uma emissora de televisão (lembrar a “edição” do debate entre Lula e Collor no segundo turno das eleições de 1989), a imprensa escrita nacional é hegemonizada por apenas três jornais: Folha de S. Paulo, O Globo e Estado de S. Paulo (lembrar o famoso “Diferencial Delta”, que ia roubando a primeira eleição de Brizola ao governo do Rio de Janeiro).

Temos denunciado essa cartelização ideológica e que não temos liberdade de imprensa, mas liberdade de empresa, que qualquer tentativa de quebra desse oligopólio ou a criação de qualquer mecanismo social de controle é violentamente atacado como “estatismo”, “retrógrado”, “ditadura”, “chavismo”, e coisas piores, e os caras continuam a deitar e rolar incontrolados, manipulando e alienando, em relação promíscua com os poderes e os poderosos.

Pois bem, nada como uma confissão sincera. Na semana passada, comentando o quadro das eleições presidenciais que se aproximam, uma das diretoras do jornal Folha de S. Paulo afirmou com todas as letras que, diante de uma oposição fraca, os jornais desempenharão o papel de partidos de oposição. Quer dizer, não teremos um mínimo de isenção informativa nesse pleito, mas uma “imprensa engajada”… contra o atual governo federal.

Não estamos defendendo o governo Lula (longe disso). Como cidadão, já tenho outra candidata para o primeiro turno, que não é a que ele tirou do seu colete. Mas, partido é partido e imprensa é imprensa, e o nosso povo não merece isso, e deve ser alertado. Muita coisa braba pode rolar pelas páginas esse ano.

Esse modelo “norte-americano” de imprensa-empresa pretensamente “neutra”, ou “apartidária” é mesmo uma farsa. Lá também está indo na mesma direção, com a Fox, por exemplo, como a “Pravda” da direita republicana.

No Brasil, falta opção para os leitores, e temos inveja dos cidadãos-leitores europeus.

Preparem-se para a manipulação. O jogo dá sinais que vai ser sujo.

E que Deus tenha piedade desse País!

Robinson Cavalcanti

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