A religião de Freud

Um novo livro que acusa o pai da psicanálise, Sigmund Freud, de ser mentiroso, fracassado e defensor de regimes totalitários está criando polêmica na França. De acordo com o filósofo francês Michel Onfray, autor de “Le Crépuscule d’une idole, l’affabulation freudienne” (“O Crepúsculo de um Ídolo, a Fábula Freudiana”), a psicanálise é comparável a uma religião e sua capacidade de curar as pessoas é semelhante a da homeopatia.

O livro começou a ser vendido nesta semana nas livrarias francesas, mas já havia começado a gerar controvérsia antes mesmo de sua publicação. Psicanalistas acusam Onfray de cometer erros e ignorar fatos para defender a sua tese.

‘Necessidades fisiológicas’

O conhecido filósofo, que escreveu “Tratado de Ateologia” (publicado também no Brasil), acredita que Freud transformou seus próprios “instintos e necessidades fisiológicas” em uma doutrina com pretensão de ser universal.

Mas, para Onfray, a psicanálise seria “uma disciplina verdadeira e justa no que diz respeito a Freud e ninguém mais”. Onfray diz que Freud fracassou na cura de pacientes que ele mesmo atendeu, mas ocultou ou alterou suas histórias clínicas para dar a impressão de que o tratamento havia sido bem sucedido.

Ele afirma, por exemplo, que Sergei Konstantinovitch, indicado por Freud como “o homem dos lobos”, continuou fazendo psicanálise mais de meio século depois de ter sido supostamente curado por Freud.

E diz que Bertha Pappenheim, conhecida como “Anna O.” e apresentada por Freud como um caso em que o tratamento contra histeria e alucinações funcionou, continuou tendo recaídas. Durante um debate com a psicanalista francesa Julia Kristeva publicado esta semana no jornal francês “Le Nouvel Observateur”, Onfray rejeitou a noção de que o método de Freud “cura todas as vezes”.

“A psicanálise cura tanto quanto a homeopatia, o magnetismo, a radiestesia, a massagem do arco do pé ou o exorcismo feito por um sacerdote, quanto nenhuma oração diante da Gruta de Lourdes (onde há relatos de que Nossa Senhora teria aparecido)”, afirmou. “Sabemos que o efeito do placebo constitui 30% da cura de um medicamento”, acrescentou. “Por que a psicanálise escaparia desta lógica?” Leia +.

Gerardo Lissardy, na BBC Mundo.

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