Misericórdia, justiça e a comunidade GLBT (2)

Há muitos comentários desde que Jennifer Knapp falou à revista CristianityToday. Como era esperado, a resposta da comunidade cristã foi híbrida. Algumas pessoas ficaram completamente enfurecidas, enquanto outras aplaudiram sua honestidade e transparência. Qual, em sua opinião, é a melhor resposta que a igreja deve dar a Jennifer e a outros como ela?

Embora a reportagem devesse ser sobre a retomada da carreira de Knapp e seu novo álbum, foi a homossexualidade que se tornou notícia. Ao invés de falar sobre o álbum, parece que todas as conversas eram sobre sua sexualidade, o que, como ela mesmo diz, é um aspecto de sua vida privada. O fato de ela ser lésbica afeta minha maneira de vê-la como criação de Deus? Não. O fato de ela ser gay significa que sua música é algo menos artística ou agradável? Não. Sua música não pode mais ser tocada em determinadas estações de rádio porque ela é lésbica? Claro que não. Como artista, eu quero apoiar seu novo álbum e sua decisão de ser alguém que continua tentar entender o que significa a vida cristã. Para mim, é sempre uma alegria ver outros artistas continuarem a fazer arte mesmo depois de anos em silêncio.

Quanto às igrejas e os cristãos, penso que esta é uma grande oportunidade de validar sua experiência. Obviamente Knapp, e outros que são gays, tiveram grandes lutas e foram expostos a muita hostilidade por parte da comunidade cristã. Este é um momento para que as igrejas digam: “Estamos com você, enquanto você tenta entender o que significa ser cristã e ao mesmo tempo ser lésbica.”

Quando homens e mulheres gays entram em nossas igrejas, devemos nos alegrar. A maioria das igrejas fechou suas portas para estes homens e mulheres. O fato de eles terem demonstrado graça e continuarem querendo conhecer a Cristo deveria ser um motivo de alegria.

Há uma diferença entre a concordar e apoiar; estar junto não significa que concordamos com tudo. Podemos estar ao lado de pessoas sem que tenhamos de concordar com suas ações ou opiniões. Estou com meus amigos não-cristãos, mesmo que eu não concorde com determinadas idéias políticas ou suas vidas particulares. Do mesmo modo, devemos estar junto com Jennifer Knapp e outros que tiveram experiências semelhantes.

O tópico da homossexualidade é algo incrivelmente sensível na igreja… como as igrejas devem começar a conversar sobre esta questão e como dar respostas?

Neste momento, a homossexualidade é um tópico que pode dividir igrejas. Então, quando começamos a dialogar sobre essa questão, devemos lembrar que será algo confuso. Mas ser confuso é algo bom. Contudo, esse assunto não deveria nos dividir. É o poder do evangelho que aproxima pessoas tão diferentes, pessoas confusas, para juntos adorarem a Cristo.

Paulo exorta a igreja em Corinto a terem o mesmo pensamento e o mesmo propósito. Ordena que não haja nenhuma divisão entre cristãos. Isto não significa que temos de concordar teologicamente com essa questão, mas que devemos permanecer unidos como irmãs e irmãos em Cristo.

Estar unidos no pensamento e no propósito significa que nós amamos a Deus com todo o coração, alma e mente, e amamos nossos próximos (todos eles) como a nós mesmos. Devemos entender que se ficamos divididos nessas questões e tratamos mal nossos irmãos e irmãs em Cristo, o mundo olhará para nós e dirá que não quer nada com Cristo. Dessa maneira manchamos o santo nome de Deus.

O fato de que as igrejas estão começando a dialogar sobre essa questão é uma grande conquista; devemos nos alegrar. Mas desafio igrejas a serem pacientes e cheias da benevolência e misericórdia. Aprendam a escutar histórias e teologias de outras pessoas, mesmo os que se opõem à sua opinião, para que possamos ser pessoas sábias. (continua)

fonte: Tim Schraeder
tradução: Jarbas Aragão

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