Misericórdia, justiça e a comunidade GLBT (3)

Você foi convidado a participar da conferência Miquéias 6:8, que está tratando de questões relativas à justiça social e consertar o que está errado. Como você vê o relacionamento da igreja com a comunidade gay hoje. O que a igreja pode fazer para consertar as coisas que já fizemos de errado?

A Fundação Marin descobriu que 86% da comunidade GLBT americana foi criada em um grupo religioso denominacional. Desse grupo, 72% já não são praticantes. 62% desses 86% disseram que não há “absolutamente nada” que os faria voltar à igreja. Obviamente, muitos relacionamentos da igreja com a comunidade GLBT são terríveis, insalubres, cheios da fobia ou simplesmente inexistentes.

Penso que um número demasiado de igrejas demais trabalhou no modelo “comporte-se, creia, pertença”. Por exemplo, se alguém se comporta da maneira esperada e acredita na doutrina, poderá frequentar ou pertencer à igreja. O que nós realmente deveríamos promover são comunidades onde você pode pertencer, cercado de cristãos que estão aprendendo sobre o amor de Cristo. Então, depois de pertencer a pessoa irá crer. Somente depois de crer no Cristo ressurreto e no poder do Espírito Santo irá acontecer a transformação ou a mudança de comportamento. Ou seja, a ordem é “pertença, creia, comporte-se”.

Contudo, uma das coisas mais importantes que as igrejas podem fazer para corrigir seus erros é desculparem-se. Mesmo se não fizeram qualquer coisa “errada” à comunidade de GLBT, um pecado foi cometido. Muitas vozes responsabilizaram gays e lésbicas pelo 11 de setembro ou pelo furacão Katrina. Precisamos desculpar-nos por isso, pelos erros que foram cometidos em nome de Cristo. Precisamos tomar uma postura, humilharmo-nos e pedir desculpas a uma comunidade inteira.

Desculpe-nos pelos erros cometidos, pela dor que temos causado, por pregarmos o ódio e o exclusivismo ao invés de graça e amor, desculpe-nos por ter dito “conserte sua vida antes de entrar em uma igreja”, ao invés de “venha como está”, desculpe ter levado a comunidade GLBT para longe do lugar em que ela deveria receber as boas-vindas!

Também, quando não conhecemos gays e lésbicas, frequentemente os demonizamos e desumanizamos. Devemos começar a escutar suas histórias e experiências, aprender sobre sua comunidade da perspectiva deles, assim poderemos demonstrar amor por eles. Assim como os missionários enviados à Tailândia aprendem sobre a cultura e a língua tailandesa, e escutam histórias dos tailandeses deveríamos fazer o mesmo com a comunidade GLBT.

A Fundação Marin existe para construir pontes entre a igreja e a comunidade gay em um nível individual. O que poderíamos fazer para alcançar a comunidade gay de uma maneira positiva?

Deixe-me contar sobre meu pai. Ele é um homem bastante conservador. Por causa do meu trabalho com a Fundação, ele começou a fazer muitas perguntas sobre a comunidade GLBT, leu alguma literatura sobre o assunto e eventualmente me perguntou o que deveria fazer com um colega de trabalho gay. Eles já se conhecem a algum tempo e o colega de trabalho (um judeu) sabia que meu pai é cristão que se orgulha disso. Disse ao meu pai para correr o risco, humilhar-se e fazer uma pergunta ao seu colega de trabalho. A pergunta era simples, “como é ser um homem gay neste trabalho? ” Então disse ao meu pai para apenas escutar.

Você sabe o que aconteceu quando meu pai fez esta pergunta? Começou uma conversa incrivelmente longa sobre a vida daquele homem, suas experiências no trabalho, e até mesmo sobre a sua fé. No final do diálogo, o colega de trabalho perguntou ao meu pai se iríamos a um churrasco em sua casa. Agora eles não são apenas colegas de trabalho, são amigos também. Por causa disto, meu pai também está trabalhando para que paremos de demonizar e desumanizar o outro.

Aquelas pessoas que tem amigos gays devem encontrar um momento para perguntar-lhes como é ser gay em um(a) determinado(a) trabalho/escola/igreja. Comece dizendo que você é um cristão que está tentando aprender sobre um assunto que é desconfortável para muitos. Seja honesto e autêntico. Esteja disposto a desculpar-se por sua própria fobia. E escute. Escute suas histórias; elas podem mudar a sua vida. É algo confuso e assustador, mas dará frutos. Por fim, seja alguém cheio da benevolência, cheio de amor e seja corajoso!

fonte: Tim Schraeder
tradução: Jarbas Aragão

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