Caso Carli faz um ano, ainda sem punição

De repente, a frase “190 km/h é crime” se espalhou em adesivos pela cidade. Tratava-se de um silencioso protesto ruidoso. O ex-deputado estadual Fernando Ribas Carli Filho, embriagado, havia acabado de se envolver em um acidente que causou a morte de dois jovens. De acordo com as primeiras notícias, o velocímetro do carro de Carli teria travado nos 190 km/h. A empresária Cristiane Yared, mãe de Gilmar Rafael Yared, um dos rapazes mortos, entrou em cena. Ela não se calou e se tornou símbolo da luta contra a violência no trânsito e a impunidade. Hoje, quando a tragédia completa um ano, Cristiane e familiares de outras vítimas de violência prometem fechar o trânsito no local do acidente.

Para o evento, haverá carro de som, padre, pastor e cantor. “Vamos fazer um momento de oração e um manifesto pela segurança, pedindo que providências sejam tomadas”, diz Cristiane. “Toda a população está convidada”, afirma. A família de Carlos Murilo de Almeida, o outro jovem que também morreu no acidente, também deve participar do ato.

Busca por justiça não deixa tempo para luto

Embrenhada em uma luta por Justiça para outras vítimas da violência no trânsito e para colocar o assassino do filho na cadeia, a empresária Cristiane Yared mal conseguiu viver o luto pela morte de Gilmar Rafael Yared. “Você acaba se envolvendo com a dor dos outros. Quando você começa a chorar, o telefone toca”, conta.

Junto com o evento, será lançado um movimento que deve percorrer todo o país na tentativa de recolher 1,3 milhão de assinaturas pedindo que o Congresso Nacional aprecie um projeto de lei que torne expressa no Código de Trânsito Brasileiro a previsão de que o homicídio causado por motorista embriagado é doloso (intencional). A ideia é evitar que a falta de previsão expressa acabe gerando impunidade.

Passado exatamente um ano do acidente, Fernando Ribas Carli Filho continua a responder o processo em liberdade. Não passou um dia sequer na prisão. Encerrado o inquérito policial, Carli Filho foi denunciado por homicídio com dolo eventual (quando o agente assume o risco de produzir o resultado) e, com isso, o caso foi enviado ao Tribunal do Júri.

Serviço:

O culto ecumênico em alusão ao primeiro ano do acidente ocorre no local da colisão, no cruzamento das ruas Monsenhor Ivo Zanlorenzi e Paulo Gorski, no bairro Mossunguê, às 20 horas.

fonte: Gazeta do Povo

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