Revistas impressas: o fim de uma era?

Durante gerações, as revistas “Time” e “Newsweek” competiram para definir a agenda noticiosa nacional toda segunda-feira nas bancas. Antes da internet, dos canais noticiosos a cabo e da revista “People” o que importava era o que as revistas semanais estampavam em suas capas.

Agora que ficou mais difícil resumir o debate americano apenas numa capa, aquela era parece estar chegando ao fim. The Washington Post Co. anunciou na quarta-feira que venderá a “Newsweek”, suscitando questões sobre o futuro da revista semanal publicada pela primeira vez 77 anos atrás.

Donald E. Graham, presidente e executivo-chefe da Washington Post Co., disse em entrevista que a decisão foi puramente econômica. “Eu não queria fazer isso, mas trata-se de um negócio”, disse. A revista deverá perder dinheiro em 2010, afirmou ele, e “nós não vemos um caminho sustentável para a lucratividade da ‘Newsweek'”. As circulações da “Time” e da “Newsweek” estão agora aproximadamente nos volumes de 1966, segundo o Audit Bureau of Circulations, órgão que mede a circulação de publicações nos EUA.

“Essas revistas tinham muito mais estatura naquela época”, diz Edward Kosner, que começou a trabalhar na “Newsweek” em 1963 e foi seu editor no fim da década de 1970. “Era realmente muito importante o que aparecia na capa da “Newsweek” e o que era exibido na capa da “Time”, porque eram o que se considerava a imprensa nacional. Elas ajudavam a definir a agenda, elas contribuiam para construir reputações “.

“Sob alguns aspectos, a era de massas acabou”, diz Charles Whitaker, presidente de pesquisas sobre jornalismo de revistas na Faculdade de Jornalismo da Universidade Northwestern. “Por muito tempo, as revistas semanais tentaram ser tudo para todo mundo, e isso simplesmente não vai funcionar mais nesse ambiente extremamente de nicho, politicamente polarizado e de mídia estratificada em que vivemos hoje.”

A “Newsweek” teve prejuízos operacionais de US$ 28,1 milhões em 2009, 82,5% superior ao prejuízo de US$ 15,4 milhões no ano anterior. Sua receita caiu 27,2%, para US$ 165,5 milhões, em 2009, ante US$ 227,4 milhões em 2008, impactada por quedas na publicidade e receitas de assinaturas.

Fundada em 1933, a “Newsweek” foi adquirida pelo The Washington Post em 1961, depois que Benjamin C. Bradlee, à época editor da “Newsweek”, e posteriormente editor executivo do Washington Post, persuadiu Philip L. Graham, presidente da Washington Post Co., a adquirir a revista.

Sob a Washington Post Co., a Newsweek tornou-se um contrapeso político ao republicanismo da “Time” comandada por Henry Luce. Enquanto a “Time” assumiu uma posição conservadora frente à Guerra no Vietnã e a cultura americana, a “Newsweek” publicou capas mais alinhadas com as posições dos jovens sobre a guerra, sobre os direitos civis e destacando estrelas da cultura pop, como os Beatles (embora “musicalmente eles sejam quase um desastre”, disse a revista.)

Kosner, seu ex-editor, recordou surtos semanais de “nervosismo controlado” sobre o que a “Time” iria colocar em sua capa. “Nas manhãs de segunda-feira, na página de anúncios do “The Times”, a “Time” e a “Newsweek” exibiam anúncios de um quarto de página mostrando suas capas e todo mundo abria aquela página nas manhãs de segunda-feira para ver o que cada uma delas tinha escolhido”, disse Kosner.

Aos poucos, porém, os programas noticiosos via cabo cresceram em número e popularidade, e as notícias instantâneas via internet tornaram, quase por definição, velhos os resumos semanais. E a noção da existência de um terreno cultural comum que todos os americanos poderiam compartilhar foi mudando. Leia +.

Fonte: IG

E por aqui, quem será a primeira: Veja, Época ou IstoÉ? Façam suas apostas.

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