Crime contra Deus

Prisioneiro rastafári passa dez anos isolado devido ao cabelo

Kendall Gibson poderia ser um dos prisioneiros mais perigosos da Virginia (EUA).

Por mais de dez anos, ele tem vivido em segregação no Centro Correcional Greensville, passando, no mínimo, 23 horas por dia em uma cela do tamanho de um banheiro de posto de gasolina.

Em uma residência temporária para o pior dos piores –reservado para presos violentos ou perturbadores– ele tem sido presença permanente.

Ele está aqui, segundo diz, não por seus crimes, mas por um crime que ele não vai cometer – um crime contra Deus.

A única coisa imponente sobre Gibson são seus longos e negros “dreadlocks” descansando na frente de seus ombros para que não arrastem no chão quando ele caminha arrastando os pés, em seu macacão laranja.

É o seu cabelo – bolos cilíndricos que ele considera uma demonstração da sua fé na religião rastafári- que faz dele uma ameaça, de acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária da Virgínia.

Uma regra começou a vigorar em 15 de dezembro de 1999, e dava duas opções aos presos: cortar seus cabelos curtos e raspar a barba, ou ir para um lugar em segregação administrativa.

No início, Gibson estava entre os 40 presos que optaram pelo confinamento em detrimento do corte. Em 2003, eram 23 presos que entraram com um processo – que, posteriormente, falhou – para tentar encerrar a condição de segregação.

Alguns não aguentaram a pressão pelo isolamento constante e sem visitas. Alguns voltaram para casa.

Nem todo mundo pode lidar com isso, diz Gibson. Para os fracos na mente ou no espírito, as paredes podem facilmente se fechar sobre eles.

“As pessoas sempre perguntam como eu posso sorrir em um lugar tão negativo”, diz ele. “O deus rastafári, Jah, é a minha resposta. Sem Jah na minha vida eu não seria capaz de lidar com isso.”

fonte: Associated Press [via Folha Online]

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