Discurso pró-família não precisa ser pró-cretinice

Pri Aliança

Argumento 1: Deus criou a família com homem, mulher e filhinhos

Cretinice consequente: famílias que, por uma ou outra razão, fogem a esse padrão são veladamente atacadas, discriminadas ou, em muitos casos, IGNORADAS pelo discurso eclesiástico. Igrejas em geral têm “sociedades” de adolescentes, jovens (para pessoas solteiras), mulheres (com o perfil de mulher casada com filhos) e homens (com o perfil de homem casado com filhos). Homens divorciados ficam onde? Na mocidade, ouvindo palestras sobre preparação para o casamento? Na sociedade masculina, ouvindo orientações sobre como agradar a esposa e passar mais tempo com a família?

Contra-argumento: que dizer da família de Noemi – sua nora Rute? Quanto amor havia naquela relação? Garanto que era muito mais família do que muitos modelos “papai, mamãe, titia” de hoje.

Argumento 2: Os pontos alto da vida de uma mulher são o casamento e a maternidade

Cretinices consequentes: (1) surge a famigerada figura da solteirona. Uma dada irmãzinha não quer se casar com qualquer um – ou não quer se casar. Deixa ela fazer trinta anos e continuar na mocidade pra ela ver como as pessoas vão se referir a ela! Se ela reclamar de alguma coisa, é por… falta de homem. Se tem um bichinho de estimação, é porque… não tem um marido. Se ela é dedicada nos projetos da igreja, é porque… não tem uma família pra dar conta. Se tem uma amiga chegada… é lésbica, óbvio! Como ninguém nunca percebeu antes? (2) se a mulher tem mais de três anos de casamento, todos na comunidade se sentem no direito de cobrá-la um rebento. Tomar conta, trocar fralda, pagar a escola, parir… ninguém quer. Mas a mulher tem que querer. E se tem só um, tem que providenciar logo um irmãozinho. Será o medo duma crise nos róis de berço? (3) Meninas que Deus ama incondicionalmente vêem todo o seu valor condicionado à sua capacidade de atrairem para si uma figura masculina. Se a família estimula a menina a estudar, é porque homem não gosta de mulher burra; se a estimula a trabalhar, é para não depender financeiramente do futuro marido; se a incentiva a se arrumar é para – obviamente – atrair pretendentes; se a ensina a cuidar da casa, é para ser uma boa esposa.

Contra-argumento: o próprio apóstolo Paulo orientou as pessoas a, se pudessem, permanecerem solteiras para melhor servirem ao Senhor. Isso vale para homens e mulheres. E agora?

Argumento 3: as pessoas estão deixando de se chocar com a homossexualidade

Cretinice consequente: irmãos muitas vezes confusos, angustiados e cheios de sentimento de culpa – resumindo: precisando desesperadamente encontrar amor, conforto e ajuda – encontram, no corpo de Cristo, discriminação, humilhações, maus tratos e desprezo. Eu nem preciso comentar o quanto isso é absurdo.

Contra-argumento: Que ótimo que o choque não existe mais! Isso significa que podemos deixá-lo de lado para abraçar o próximo e, caso ele decida permanecer no rebanho, amá-lo. Simplesmente amá-lo. Humildemente amá-lo, com todas as implicações do amor genuíno.

Aguardo ansiosamente o dia em que esse discursinho conservador pró-família nojentinho se tornará uma prática revolucionária pró-amor, libertadora.

fonte: Através do monitor.

Comentários

Este QR-Code permite acessar o artigo pelo celular. QR Code for Discurso pró-família não precisa ser pró-cretinice

Deixe o seu comentário