Eleições: o sistema está consolidado

Robinson Cavalcanti

O Brasil já está politicamente enquadrado no modelo de “democracia governada”, onde os “Donos do Poder” estão a serviço dos Donos do Capital. A Lei regulamenta o sistema, o judiciário o enquadra, o poder armado o sustenta, e a mídia o propaga.

Pelo “soft Power” (educação, mídia, propaganda, arte), ou o “hard Power” (justiça, polícia) são apenas aparelhos ideológicos e braços do modelo vigente. Os ricos ficam cada vez mais ricos, a classe média curte alienada o consumo, parte dos pobres são cooptados como consumidores e não como cidadãos, “promovidos” por decreto e publicidade a um status de classe média que não tem, os miseráveis continuam miseráveis, e os pobres, movidos a futebol, cachaça, sexo e/ou igrejas neopentecostais vivem a esperança vã de um dia serem “sorteados” para subir na escala social.

Os movimentos sociais estão domesticados, as ruas estão esvaziadas de mobilizações, e aquelas que porventura aparecerem serão reprimidas como delinquência. As elites se realizam em serem caricaturas do império mundial hegemônico, inclusive no aspecto cultural.

Quando um sistema está consolidado assim, é que se dão as “eleições dos sonhos” das elites: a promoção de pseudo-alternativas, que serão vendidas como produtos aos consumidores, com uma campanha que é um grande teatro, focado no estilo da pessoa do(a)s candidato(a)s ou em aspecto meramente secundários, e de escassa relevância. Estimula-se uma rivalidade, para dar a impressão de que a disputa é para valer. As eleições se dão como ritos de passagem e catarse coletiva, mas, no dia seguinte, tudo “estará como dantes no Quartel de Abrantes”.

A disputa Dilma vs. Serra vai por aí: o hoje com cara de ontem, e o ontem com cara de antes-de-ontem, A elite está em paz, pois, “ganhe quem ganhar, nós ganhamos”. Marina é tratada como mera atriz coadjuvante (embora possa surpreender), e os demais candidatos ignorados ou ridicularizados. Quem apoia quem é apenas quem vai ter benefício mais direto com quem.

Essa é a “democracia governada” que temos, muito longe de uma “democracia governante”, onde o povo seja realmente ator e sujeito político e não objeto. Quando se fala que temos um Estado de Direito e liberdades públicas, isso é parcialmente verdadeiro, mas não tem relação direta com uma democracia real.

Se, ao fim e ao cabo, cumpriremos o nosso “dever cívico” optando pelo mal menor, algum tipo de reivindicação e pressão pode ser possível, fazendo avançar algumas polegadas.

Quase não temos candidatos “de esquerda”, mas que tiveram passado de esquerda, hoje devidamente “domesticados”. A “esquerda” no poder federal (ou nos poderes estaduais e municipais), de vários partidos, trocou a utopia da busca de superação do capitalismo pela defesa da sodomia. Pobre geração!

Mas, enquanto há fé, há esperança. Como disse um cínico: “se a esperança é a última que morre, ela é a última a morrer, mas morre”.

Vigiemos, oremos e nos inquietemos!

Que o Senhor da História, em sua Providência, pregue mais uma peça: abatendo os exaltados e exaltando os abatidos.

Vamos em frente!

Robinson Cavalcanti

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