Uma polícia, duas caras

Em menos de um mês, policiais militares mataram dois motoboys em São Paulo. O meu amigo Percival de Souza, jornalista especializado em segurança pública, escreveu artigo sobre os casos, publicado no Estado de S. Paulo.

Percival botou o dedo na ferida: a PM de São Paulo tem duas caras; uma nas áreas nobres da cidade e outra na periferia. Mas, verdade seja dita, isso não é “privilégio” da PM paulista. Esse é de fato um problema grave da polícia brasileira, que reproduz fielmente o comportamento de setores da sociedade e, sem qualquer pudor, faz discriminação sim de brasileiros e brasileiras.

Uns – cidadãos bem vestidos e que vivem nas áreas nobres das cidades parecem ter mais direitos do que outros, cidadãos que vivem em favelas e periferias, tratados como pessoas de segunda classe. Gente que pode tomar uma dura e ter as calças arriadas, como aconteceu com um morador da Cidade de Deus, ou que pode ser simplesmente ignorada e assaltada dentro de uma delegacia de polícia, como ocorreu como uma mulher, no interior de São Paulo.

Diz Percival:

Por que a brutalidade? A insistente pergunta não consegue encontrar respostas e por isso mesmo atinge em cheio a Polícia Militar de São Paulo, nascida de um efetivo de 130 homens, em 1831, que hoje, por iniciativa própria, pretende voltar a usar o nome institucional de Força Pública. Ela é a maior tropa da América Latina e nem mesmo um comandante regional da Força Terrestre possui tantos homens e mulheres – 100 mil– em sua área territorial.

A pergunta gira em torno do assassinato brutal de dois motoboys no curto espaço de 30 dias – um, espancado até a morte dentro de uma companhia da PM na Casa Verde, zona norte de São Paulo, e outro na Cidade Ademar, zona sul. No primeiro caso, o rapaz foi capturado durante a busca de um ladrão de bicicleta. No segundo, pilotava uma moto ainda sem placas, que havia acabado de comprar. Foi morto em plena madrugada do Dia das Mães. E a mãe, que assistiu a tudo, enterrou o filho no mesmo domingo em que esperava dele um abraço especial.”

Leia a íntegra do artigo de Percival de Souza para nos ajudar a entender que polícia é essa.

Jorge Barros, no Repórter de Crime.

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