A outra África do Sul

Nos próximos dois meses um assunto irá dominar as conversas no Brasil e em grande parte do mundo: a Copa da África. Na maioria das vezes a imagem veiculada na mídia é a de um país colorido, de gente alegre e ansiosa para hospedar a Copa pela primeira vez no continente africano. Mas ONGs que trabalham por lá denunciam, como no vídeo acima:

Durante os 31 dias de duração da Copa do Mundo,
4500 crianças sul-africanas nascerão com HIV
30.000 adultos sul-africanos serão infectados com HIV
22.500 sul-africanos morrerão em consequência da AIDS

E o governo, que providências toma? Essa reportagem do G1 nos dá uma idéia

A menos de um mês do início da Copa do Mundo, a África do Sul retirou das ruas mendigos e prostitutas em uma chamada operação de limpeza, de acordo com entidade de direitos humanos que atua no país. Para o diretor da associação “Campanha de Ação aos Dependentes Químicos”, Warren Whitfield, que presta ajuda a viciados em drogas, as pessoas consideradas “indesejáveis” são levadas para abrigos que são como “campos de concentração”.

“É uma violação dos nossos direitos constitucionais”, afirma Whitfield. “O país comete violações dos Direitos Humanos para se preparar para a Copa do Mundo.” Em Durban, no sudeste do país, a zona costeira está tranquila, o que não é habitual em outras épocas do ano. De acordo com as ONGs que atuam na cidade, cerca de 400 menores que viviam nas ruas foram levados para um abrigo na periferia. Em Joanesburgo, os cegos imigrantes do Zimbábue e as mulheres com filhos no colo que pediam esmolas não estão mais nos principais cruzamentos de ruas e avenidas.

De acordo com Edna Mamonyane, porta-voz da polícia de Joanesburgo, pedir esmolas nas ruas viola as leis municipais. “Na maioria dos casos, essas mulheres e os deficientes foram levados aos centros sociais”, diz Mamonyane. “Só as prostitutas nos dão mais trabalho.”

A prostituição é proibida na África do Sul, ainda que por razões de saúde pública vários grupos fazem pressão ao governo para legalizar a atividade pelo menos durante a Copa do Mundo. Mas a forte oposição de associações de defesa da família e da religião a esta proposta levou o governo a adotar uma postura severa de repressão à prostituição. No entanto, organizações não-governamentais acreditam que a repressão não vai impedir a prostituição durante a Copa. Para o Grupo de Ação para a Educação e Defesa dos Trabalhadores Sexuais (na sigla Sweat, em inglês), com sede na Cidade do Cabo, a expectativa é de que ocorra um aumento da atividade das trabalhadoras do sexo durante o Mundial.

“Isto é um temor porque o país conta com um alto índice de pessoas portadoras do vírus da Aids”, destaca a associação. Cerca de 5,7 milhões de sul-africanos são portadores do vírus da Aids, de acordo com dados do governo. A presença do vírus atinge 45% das prostitutas. A associação Sweat acredita que as prostitutas vão trabalhar na clandestinidade e aconselha a realização de campanhas de orientação e prevenção para as pessoas que vão pagar por serviços sexuais durante a Copa. A entidade quer ainda distribuir preservativos e lubrificantes nos bares que vão exibir jogos do Mundial.

Parece que não é só por aqui que o governo insiste em maquiar as coisas. 2014 vem aí, lá, lá, laiá…

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