Sim, eu odeio a religião

Will

Pra que não reste dúvida acerca das minhas bases e fundamentações para odiar a religião, valho-me, de antemão, das palavras do Deus que, como homem e depois de humanizado, demonstrou-se, inequivocadamente, contra todo sistema alienante e destrutivo, ou seja, religioso.
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Cheguei à igreja evangélica ainda adolescente e nos meus primeiros dias de EBD (Escola Bíblica Dominical) aprendi uma regra inexorável: a missão do Diabo é matar, roubar e destruir, segundo as palavras de Jesus, registradas pelo apóstolo João (João 10).
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É óbvio que Satanás opera contra tudo aquilo que favorece a vida, no entanto os evangélicos, que se julgam os melhores teólogos do cristianismo, equivocam-se absurdamente na interpretação das palavras do Cristo, que segundo eles, e até outros cristãos, fundamentam a referida definição das obras do cão.
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Foi no colégio que aprendi a interpretar textos – acredito que preciso melhorar nesta arte. Se não me engano, para que se faça uma boa interpretação textual deve-se, impreterivelmente, levar em consideração o cenário (contexto) do texto. Com as aulas de hermenêutica do curso de teologia, as recomendações acerca dos perigos de uma interpretação falha foram intensificadas. Diariamente ouvia a famigerada frase, que pretendia prevenir erros que poderiam ser sucedidos por trágicos enganos conceituais: texto sem contexto é pretexto para heresia.
Valendo-me desta regra hermenêutica fundamental, e ainda de alguns outros preceitos como levar em consideração a historicidade do texto e do livro no qual ele está inserido, os objetivos do autor do livro, tomar a palavra no sentido usual e comum, consultar as passagens paralelas…constatei que o Raboni de Nazaré, em João 10, usara sua formidável habilidade em construir analogias, a fim de demonstrar a diferença gritante entre ELE e a religião. Sim, Jesus não se referia, no texto em análise, ao Diabo, Satanás ou a quem quer que fosse que não a religião, principalmente aquelas que vieram antes dele (João 10:8).
Pra decepção de muitos, o ladrão a quem Jesus se refere no registro de João não é o Diabo, mas tão somente a religião (João 10:10). Sua comparação é forte, mas extremamente realista, pois a religião mata a humanidade, rouba a dignidade e destrói a vida de todos quantos se sujeitam a ela de uma maneira peculiar: o faz em nome do bem. Acertou na mosca o pensador, quando disse que “com ou sem religião, pessoas boas farão coisas boas e pessoas más farão coisas más. Porém para pessoas boas fazerem coisas más, é preciso religião.” Steven Weinberg (físico)
Contrariando teologias, tratados, encíclicas papais, programas ou estatutos institucionais, e qualquer outro programa sistematizador religioso, Deus, em Jesus, não fundou uma religião, mas operou no ministério do seu Cristo a boa nova de que para chegarmos a ELE, e obtermos vida abundante, devemos nos apegar, única e exclusivamente, a um nome, uma pessoa, uma história, uma verdade: Jesus de Nazaré.
Louvado seja o Cristo de Deus, vida e esperança de todos os homens,
fonte: Celebrai!

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