Sobre Nomes

Lula Vieira

O colunista José Simão adora descobrir nomes de pessoas que parecem ser mais do que uma identificação, e sim uma espécie de sinalização do destino, uma predestinação. Nomes que explicam o que a pessoa é, o que faz, como será sua vida. Como o urologista que se chama Pinto Bravo. Ou a médica de stress no Rio de Janeiro que responde pelo nome de Lopes Cansado. São nomes que definem o destino da criatura.

O primeiro papa, por exemplo, tinha mais que um nome, tinha uma sinalização. Tanto é verdade que Jesus, quando o elegeu chefe da igreja, não resistiu à gracinha óbvia: “Pedro, tu és pedra e sobre vós edificarei minha igreja”. Imagine o que Pedro (Petrus) sofreu a vida inteira com as brincadeiras dos amigos. Quando foi eleito manda-chuva teria dispensado a piada. Não mandou Jesus à merda porque não é assim que se fala com o filho dEle. Mas precisava do trocadilho, perpetuado através dos séculos pela Bíblia? Não bastava chamar Pedro e dizer: você é o cara?

Pedro não era bobo e sabia que a coisa ia terminar mal. Ser Papa não era nenhum grande privilégio naquela época. Pelo contrário. Era uma (ops!) pedreira. Tanto que Pedro por pouco não respondeu: “Jesus, obrigado pela escolha. Mas essa história de Pedro e Pedra eu já ouvi um milhão de vezes. Todo mundo adora me pegar para cristo. Tenho raiva do meu pai até hoje por isso. Ele poderia ter escolhido um nome melhor. Um nome como Judas, por exemplo”.

Há um dentista na Bahia que se chama Ciro João. Um Ciro João dentista. Pode? Um diretor da minha empresa se chamava Rolla. E na área dele veio trabalhar uma design cujo sobrenome era Gozzo. Ou seja: num único departamento tínhamos tudo o que seria necessário para uma vida sexual feliz: Rolla e Gozzo.

Mas o Rolla acabou saindo da empresa. Teve uma candidata para substituí-lo. Marcia Consolo. Outro dia uma colega veio me trazer o seu convite de casamento. Depois de prolongado namoro, o casamento oficial é o complemento de uma história de amor. Beleza. O detalhe que me chamou a atenção foi o local da cerimônia e da festa: Estrada do Pau com Fome, Jacarepaguá. Espero que a situação do pau seja resolvida a partir da festiva data.

Por falar em nome de ruas, fico imaginando a quantidade de piadas que os moradores da Rua das Piranhas, em Santo Amaro, São Paulo, têm que aguentar. E os cearenses de Fortaleza que residem na Rua Papicu também devem sofrer um bocado. Melhor só o nome de uma lavanderia de Pelotas: Komeco. Fica em frente da conhecida Imobiliária Rabaldo.

Já que estou no assunto, me lembro do caso de uma produtora de filmes que no dia em que a babá faltou teve que levar a filhinha de três anos para a 25 de março, onde precisava conseguir alguns materiais de cena. Ao descer do táxi, em meio àquela confusão de gente, barulho, fumaça, a menina perguntou: “Mãe, é aqui que é a puta que pariu?”.

No Panamá existe uma cidadezinha simpática, onde o pessoal tira férias, que tem o sugestivo nome de Boquete. Como destino turístico compete com a vila paradisíaca no meio do deserto de Atacama, no Chile, a conhecida Pica. Na Escócia temos uma praia chamada Bosta, que de certa forma poderia ser o nome de várias praias brasileiras que recebem toneladas de coco por hora.

Os amantes de música sabem que Verdi veio de Busseto na Emília-Romana. Aliás, como seria o gentílico de quem nasce em Varre-e-sai, no Rio de Janeiro? Ou o habitante de Anta Gorda, no Rio Grande do Sul? O lusitano que teve o privilégio de nascer na bucólica Punhete é um punheteano ou um punheteiro? Alguns vinhos portugueses têm nomes deliciosos como a própria bebida.

Conheci em Portugal o Monte dos Cabaços, da insigne Margarida Cabaço. Um belo vinho. E um grande nome para extensão de linha. Porque não lançar o Azeite extra virgem Monte dos Cabaços?

fonte: Propaganda & Marketing

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