Thanks, Ray!

Francisco A. Madia

Adeus críticos profissionais

“Não me ajeito com padres, críticos e canudinhos de refresco: não há nada que substitua o sabor da comunicação direta.” Mario Quintana

Com o prevalecimento das redes sociais
, os críticos de todos os gêneros caem em desgraça e perdem seus empregos. Agora as pessoas recorrem, através das redes sociais, às pessoas que se assemelham a elas. Se essas pessoas gostaram do filme, do show, do restaurante, do livro, elas também e muito provavelmente vão gostar. Já se o crítico gostou ou não gostou o papo é outro. Isso posto, e muito rapidamente, adeus críticos profissionais!

Em verdade, os críticos mais aborreciam que orientavam. Em todos os tempos. Cesare Pavese, lá atrás, já dizia que “todo o crítico é exatamente como uma mulher na idade crítica: rancoroso e reprimido”. Não sei se as mulheres são, mas, os críticos, são mesmo. E Antoine Prévost desancava. Com elegância: “Não é necessário que um autor compreenda o que escreve. Os críticos encarregar-se-ão de lhe explicar”.

Um exemplo? Um dos últimos shows gravados de Ray Charles, no ano de 2000, em Paris, “Live at the Olympia”.

Na Folha de S.Paulo o crítico assim se manifesta – “Teclado vulgariza obra de Ray Charles em show improvisado”. Já as pessoas comuns registram, “Mesmo só com um teclado, sem apoio dos vocais, e em condições excepcionais onde tudo poderia dar errado, Ray Charles documenta sua genialidade e maestria”.

Na Folha o crítico massacra, “Não culpe Ray Charles pelo engodo. O músico fez tudo o que esteve ao seu alcance para chegar a tempo no Olympia naquela noite. Em tour pela Europa, Ray, a orquestra e as indispensáveis The Raelettes, grupo responsável pelos backing vocals da banda desde os anos 1950, foram surpreendidos com uma greve no aeroporto de Lisboa. A paralisação atingia exatamente a companhia aérea que deveria conduzir toda a comitiva de Ray até Paris… No Olympia o show beirou ao nonsense. Em um palco enorme, Ray assumiu o primeiro plano com o Yamaha deixando na cozinha o trio de músicos… Os efeitos especiais do teclado, sem a proteção dos demais instrumentos da orquestra, vulgarizaram canções como ‘Georgia on my mind’, ‘Angelina, hey, girl’…”.

No coração as pessoas se emocionam e vibram. “Só uma pessoa com a garra e o talento de Ray Charles poderia correr todos esses riscos e demonstrar sua genialidade. Graças a Deus tudo ficou preso em Lisboa. Assim tivemos uma oportunidade única de ouvir, ainda que por uma única vez, Ray só. Ele e seu teclado, e sua voz, e seu talento, e seu carisma, e sua competência…” Adeus críticos; já vão tarde!

Enquanto isso, aqui no Madiamundomarketing coloco o DVD mais uma vez no telão: “I´ve been so many places in my life and time / I´ve sung a lot of songs and I´ve made some bad climbs / I´ve acted out my life in stages with ten thousand people watching / Oh, but we’re alone now and I´m singing this song for you…”.

Thanks, Ray!

fonte: Propaganda & Marketing

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