Quem são os piadistas do Twitter

Eles usam o serviço para fazer graça, ganhar fama e conquistar milhares de fãs
Martha Mendonça

Caio Guatelli
  Reprodução

@MussumAlive
59.541 seguidores

Bio O inspetor paulistano Leandro Santos lançou o fake do trapalhão Mussum, com “is”
ao fim das palavras

MELHORES TWEETS

> A Cachaça é o cupido engarrafds!

> Procurei no Google:
“Acordar Cedo” e o botão “Estou com Sorte” sumiuzis!

> Vocês conhecem a Cerveja
de Rato? A MouseBeerzis!

O paulistano Leandro Santos, de 27 anos, sempre gostou de humor, mas nunca foi o palhaço da turma. No ano passado abriu uma conta no Twitter. Queria contar casos presenciados nos “bares da vida”, segundo sua definição. Como não quis se identificar – nem os amigos –, optou por criar um personagem. “Percebi que Mussum era perfeito”, diz. Assumindo as características do comediante dos Trapalhões (1941-1994), suas frases sempre terminavam com o tradicional “is”. Cachacis, cervejis, amiguis. Muitos amiguis, aliás – hoje, o falso Mussum já tem 57 mil seguidores. Bem menos que o de humoristas famosos como Danilo Gentili, do CQC (671 mil), ou Bruno Mazzeo (226 mil), mas bastante para gente desconhecida.

O humor que nasce no Twitter, sem apoio de outros meios de comunicação, veio para ficar. É feito por gente comum, que aproveitou o espaço da internet e a agilidade do microblog para ganhar visibilidade. Leandro, do @MussumAlive, trabalha na cidade de São Paulo como inspetor de segurança veicular e estuda engenharia de produção. E há outros como ele. Disputam a atenção de uma audiência de quase 10 milhões de pessoas no Brasil, um público predominantemente jovem, entre 18 e 24 anos, que se acostumou a rir com o humor rápido e visceral do Twitter. Em 140 toques não há espaço para construir uma piada convencional. Cabe apenas uma ideia e uma formulação feliz. Quando essa combinação dá certo, é muito bom.

Caio Guatelli
  Reprodução

@Cleycianne
26.905 seguidores

Bio O funcionário público Thiago Henrique Ferreira é o homem por trás da evangélica que escorrega na religião,  mas não na irreverência

MELHORES TWEETS

> Depois que eu me converti, até os meu gases ficaram mais cheirosos!! É que a podridão saiu de minha alma!! #Gloria3xGloria

> Bom dia!!! Dia ensolarado,
ótimo dia para você mulher de bem lavar um ungido tanque de roupa!! #gloria3xgloria

> Ontem as irmãs da Igreja
ficaram passadas em Cristo quando eu disse que Jesus em inglês é Jesus mesmo! Adoro passar conhecimento!

O publicitário catarinense Dino Cantelli, de 25 anos, chegou a ter uma coluna de humor num jornal do interior. Até que conheceu o Twitter e criou o @TioDino. Colocou um avatar de Abraham Lincoln e saiu escrevendo o que lhe viesse à cabeça, com o deboche e o azedume que marcam seu estilo até hoje. A inspiração? Tudo. A vida, a política, celebridades – e os próprios tuiteiros. História parecida tem o assistente administrativo carioca Leonardo Lanna, de 31 anos. Fã de programas de humor do mundo inteiro, ele entrou no Twitter no ano passado com um amigo para fazer microcontos de 140 caracteres. Aos poucos, porém, as observações ácidas sobre o cotidiano tomaram conta de seu espaço. Hoje, o @microcontoscos já tem 20 mil seguidores, entre eles alguns nomes da nova geração do humor, como o redator Fábio Porchat e o ator Gregório Duvivier. “Até então eu desconhecia meu potencial para fazer graça”, afirma. Como Lanna e Cantelli, o funcionário público paulistano Thiago Henrique Ferreira, de 26 anos, entrou no Twitter sem grandes ambições. Para “espantar o tédio”, inventou a personagem @Cleycianne, uma evangélica fervorosa que comenta seu dia a dia e a vida das celebridades. Tudo é inspiração para Cleycianne. “Desde o óbvio, como a programação evangélica da TV, até conversas que escuto diariamente no ônibus”, diz.

Tuiteiro assíduo, com 168 mil seguidores, o casseta Hélio de La Peña se diz fã do humor que nasce no microblog. “É uma vitrine para talentos que, em outra época, você nem perceberia”, afirma. Na lista de humor de sua conta, convivem os consagrados e os novatos, sem hierarquia. Outro famoso do mundo do humor, o redator e ator carioca Marcius Melhem (128 mil seguidores) elogia a liberdade de fazer graça no microblog. “Esse humor experimental, sem patrão, é genial”, afirma. “Resisti muito antes de entrar no Twitter. Muito de minha decisão de participar veio desse clima de experimentação e troca”, diz. O fenômeno do humor no Twitter é parecido com o dos blogs, que revelou nomes como Kibeloco e Mr. Manson, do Cocadaboa. Mas é mais ágil e diversificado, reflexo da natureza dessa nova rede social.

Edu Lyra
  Reprodução

@TioDino
19.577 seguidores

Bio O publicitário catarinense mistura humor e notícias

MElHORES TWEETS

> Tenho alguns amigos imaginários.
Quando imagino que posso
contar com eles, me ferro

> Você reclama que não teve uma
infância feliz. Mas pelo menos não foi batizado pela Baby Consuelo

> A vida sorriu pra mim.
E não tinha os dois dentes da frente

Nem todos os humoristas que nasceram no Twitter querem se identificar. Pelo menos por enquanto. Alguns temem a reação de seus chefes e colegas – já que têm empregos “sérios”. Outros acham que a graça está no mistério. O dono do Twitter @NairBello não conta seu nome nem de onde é. E ainda responde aos e-mails como uma confusa e simpática “nonna”, inspirada na comediante que morreu em 2007. “Oi, Bella, depois eu respondo que agora está na hora da novela do Manoel Carlos. Ma che!”, diz.

Levando em conta que ainda é de manhã e que Viver a vida já havia terminado, pode-se perceber que ela (ou ele) não tem hora para fazer piadas. Não à toa tem 46 mil seguidores. Outro que protege sua identidade secreta é @OCriador, o maior dos “tuiteiros-de-raiz” – como eles próprios se batizaram. São 278 mil pessoas que acompanharam diariamente os conselhos e pitos que descem diretamente do Céu. Desconfiado, “o Pai” mandou sua fotografia para a revista – sem que seu rosto aparecesse. Conta que é alagoano, solteiro e tem 24 anos. “Muitos conhecidos meus desconfiam que eu sou O Criador. Mas eu nego até a morte!”, afirma.

O sucesso já levou alguns para fora das fronteiras do Twitter. Thiago Ferreira negocia levar Cleycianne, a “serva do Senhor no mundo da internet”, para a televisão. O Criador já tem um quadro na Rádio Mix, no qual suas frases são interpretadas com voz grave. Um dos maiores exemplos dessa migração de mídias é o publicitário Bruno Rocha. Brasiliense, ele criou o Twitter @HugoGloss, um personagem que ironiza o mundo das celebridades. Apesar das críticas, caiu no gosto de gente famosa e foi convidado por Luciano Huck para ser redator do Caldeirão. “O Twitter me abriu portas, mas é preciso saber por qual delas você pode entrar”, afirma. “Brilhar em 140 caracteres não significa que você fará bem qualquer coisa.” Um raro momento de seriedade.

Marina Ferro
  Reprodução

@OCriador
279.638 seguidores

Bio Formado em Direito, o alagoano assume a voz de Deus e dá conselhos e pitos a seus “filhos”

MELHORES TWEETS

> Newton, diferentemente de Adão, entendeu Meu recado sobre a gravidade da maçã

> A frase “encontrei Jesus” foi dita pela primeira vez por uma criança em Nazaré, durante uma brincadeira de pique-esconde

> Se Moisés houvesse ouvido sua esposa e parado para pedir informação, não teria vagado 40 anos perdido pelo deserto

fonte: Época
dica do Raphael Akamine

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