Muito prazer, Tico

Luciano Pires

Em artigo recente apresentei o conceito do Tico e do Teco, duas paranóias que levam as empresas à incompetência. O Tico é o Transtorno da Incompetência Compulsiva Obsessiva. E o Teco é o Transtorno da Excelência Compulsiva Obsessiva. Hoje vou mais fundo no Tico.

É relativamente fácil perceber quando o Tico está presente. Empresas e pessoas acometidas do Transtorno da Incompetência Compulsiva Obsessiva podem apresentar os seguintes sintomas:

Desculpar-se dizendo que “são pequenas” e não podem investir. Não entendem que “estão pequenas” e que o processo de crescimento exige sacrifícios em várias frentes. E coragem de investir em coisas que só renderão frutos lá na frente.

Não acreditam em investir em processos com resultados a longo prazo. Só conseguem enxergar “despesas” e só gastam naquilo que conseguem ver e entender.

Não sabem como promover a comunicação interna entre a direção e os funcionários e vice-versa. Normalmente dão a uma ex-secretária ou a um estagiário a incumbência de “pregar uns cartazes no mural”, achando que isso é comunicação.

Administram o negócio com base na intuição ou na experiência prática das lideranças, sem jamais buscar aconselhamento externo.

Não tem cuidados com os processos de seleção e contratação dos funcionários. Escolhem pela amizade, pelo parentesco, pelo “quem indicou”.

Tem dirigentes despóticos. Gente que trata os funcionários de forma grosseira. Gente que acha que sabe tudo e manda fazer “porque eu quero”.

Jamais constroem um ambiente propício para a inovação. São adeptas do “sempre foi assim” e expulsam quem perturba a estabilidade.

São avessas a riscos e repetem processos velhos e ultrapassados pela simples comodidade de estarem familiarizadas a eles.

Não tem planos estratégicos ou os tem apenas para dizer que tem. Nenhum processo de revisão ou de alinhamento às mudanças de mercado.

Tratam clientes como um problema com o qual são obrigadas a conviver.

E a principal característica: quem tem Tico jamais aprende com os erros.

As pessoas tem medo de denunciar responsabilidades, de demitir quem precisa ser demitido, de enfrentar as saias justas. O velho cagaço, lembra?

É claro que existem muitos outros sintomas e, dependendo do tamanho e natureza da empresa, o Tico pode manifestar-se de formas menos evidentes.

Para curar-se do Transtorno da Incompetência Compulsiva Obsessiva é preciso primeiro reconhecer que o problema existe, ouvindo colaboradores em busca de idéias para soluções. Ter a humildade de buscar ajuda externa, sem esperar por milagreiros. Ah, a empresa não tem grana? Busque ajuda de gente que aceita ganhar com base nos resultados obtidos. A empresa é pequena? Procure o Sebrae e outras entidades que promovem cursos muito bons para formar empreendedores. A empresa é grande? Estimule a liderança a mexer na organização, eliminando os causadores de problemas.

Mas não pense que será fácil, pois quem quer acabar com o Tico pode ser demitido por ele.

Enfim, se você quer ser um agente de mudanças, não há outra saída: tem que correr o risco de ser demitido. Quem não incomoda o suficiente para ser expulso, não está indo suficientemente longe.

fonte: Café Brasil
dica da Judith Almeida

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