Baloeiros desafiam a lei até na internet

Jorge Antonio Barros

Eles não conseguem esconder a excitação ao ver o balão se aproximando do chão. A mesma alegria na hora de fabricar e soltar o balão em forma de um palácio de Bagdá, de 19 metros de altura, é percebida na hora de unir os amigos e colegas de rua para partirem em mais uma expedição de resgate do artefato voador que caiu antes do tempo. Eles partem em carros, motocicletas ou mesmo a pé. Lembram aqueles companheiros da infância ou da adolescência, em brincadeiras aparentemente inocentes, sem a presença das meninas. Um espécie de Clube do Bolinha do crime.

As cenas estão num vídeo publicado no You Tube em abril deste ano, em Maricá, na Região dos Lagos, no Estado do Rio (veja acima). A perigosa brincadeira – que põe em risco o meio ambiente e até mesmo as pessoas, como ficou comprovado no incêndio do Morro dos Cabritos, na Zona Sul do Rio – é o combustível de gerações de jovens das periferias das grandes cidades brasileiras, envolvidos em mais uma atividade proibida desde 1998. A lei número 9.605, de 1998, a chamada Lei de Crimes Ambientais, passou a proibir “a fabricação, venda, transporte e a soltura de balões que possam provocar incêndios nas florestas e demais formas de vegetação, em áreas ou qualquer tipo de assentamento urbano.”

Com o incêndio do Morro dos Cabritos e a consequente repercussão negativa desse episódio, os jovens transgressores da lei se consideram vítimas de mais uma perseguição. Ao mesmo estilo dos que fazem pichações, dos que lutam pela legalização da maconha, daqueles que se rebelam contra a proibição de bailes funk com apologia a crimes como o tráfico de drogas e de outros que resistem à fiscalização da Lei Seca, que proíbe a ingestão de álcool por motoristas. É uma juventude que se sente reprimida porque as leis a impedem de se expressar e praticar as atividades que mais lhe dá prazer. Não parece nem um pouco preocupada com as consequências dessas atividadades que, em geral, põem em risco toda a comunidade à qual esses jovens estão de certa forma integrados. Na verdade, eles se sentem marginalizados. Talvez por isso tanta revolta contra o sistema legal.

Todos esses jovens envolvidos em atividades proibidas acabaram encontrando na internet o grande meio de expressão que não tinham, e que “eterniza” todas as suas façanhas. Tanto assim que muitas vezes não têm sequer temor de mostrar a cara, na hora que soltam balões ou fazem pegas. As redes sociais exibem nomes de grupos como Conexão Arte (de São Gonçalo), Turma da Capa, Balão Mania, apesar de algumas comunidades do Orkut já alertarem para o risco de serem coibidas:

“O QUE A TERRA PROÍBE O CÉU AGRADEÇE. (SIC)

SOLTAR BALÕES É CRIME , CORRUPÇÃO, TRAFICO, SALARIOS BAIXOS, INSEGURANÇA , MIDIA ACUSADORA , ISSO SIM É ARTE !!!!

LEIA COM ATENÇÃO. CUIDADO COM A TROCA DE INFORMAÇÃO , EM UM REPORTAGEM NA TV , INFORMA A NOTICIA QUE O INCENTIVO A SOLTAR BALÕES ESTA CIRCULANDO LIVREMENTE NA INTERNET . POR ISSO FIQUEM ATENTOS .

ATENÇÃO PARA AS NOVAS REGRAS DA COMUNIDADE. NÃO É PERMITIDO MARCAR EVENTOS , ISSO PODE CAUSAR PROBLEMAS , POR ISSO FOI CRIADO UM TOPICO PARA MSN. NÃO SERA PERMITIDO ENDEREÇO DE EVENTOS , EXCETO FESTIVAIS E FESTAS DE PIPEIROS , CUIDADO COM PESSOAS INTERESSADAS EM COMPRAR , OU ENCOMENDAR , OU ATE MESMO PEDIR AJUDA NA CONFECÇÃO DE NOSSAS ARTES . PODE SER PERIGOSO”

Com as festas juninas, aumenta a tradição de soltar balões. Para enfrentar uma cultura que resiste à proibição, polícias florestais de todo o país fazem nessa época do ano campanhas informando que “soltar balões não é legal; é crime ambiental”. O caso do Morro dos Cabritos no Rio levou o Disque-denúncia (2253-1177) a dobrar o valor da recompensa para pistas que levem a baloeiros – R$ 2 mil reais. Espero que a iniciativa estimule informantes privilegiados que certamente passarão a denunciar turmas de baloeiros rivais.

fonte: Blog Repórter de Crime

Comentários

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3 Comentários

  1. Oliver disse:

    Pow cara li tua matéria muito interessante,
    porém creio que não esteja muito por dentro do assunto que tal verificar melhor pois os baloeiros tambem querem esta dentro da lei, com festivais ecologicos, baloes sem fogo e em locais estudados e com aprovação das autoridades necessarias para que ocorra.
    Desculpe a critica tu escreve muito bem porem deixou de pesquisar um pouco.!
    Claro sou baloeiro porem luto para legalização mas como e um mercado popular onde grandes interessados nao lucraram os milhões como qualquer outro mercado fica mais dificil a legalização.

  2. Luisloko2011 disse:

    MAIS NINGUEM PERGUNTOU QUEM SOLTA OU DEIXOU DE SOLTA NOIZ SOLTA MESMO E VAMOS CONTINUAR SOLTANDW !!!!

  3. Zemane disse:

    Baloeiro, Pixador, Furto a Residencia, todos fazem parte da Especulação Imobiliaria

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