Paixão!

Francisco A. Madia

“Quando a paixão nos domina esquecemos o dever.” Pascal

Não existe outra palavra que traduza melhor o que os torcedores de verdade sentem por seus times do coração. Paixão! Nas vitórias, nas derrotas, na alegria e na dor, muito mais do que acontece com os casais que ouvem os padres falarem desse compromisso no casamento, e entra por um ouvido e sai pelo outro antes dos noivos cruzarem a porta da igreja para os cumprimentos. Nos torcedores de futebol nada disso é preciso. A paixão brota e fica. Eventualmente se recolhe, jamais desaparece. É definitiva. Diferente de todas as demais marcas, que num determinado momento da vida podem ser trocadas por uma outra que ofereça uma experiência de compra irresistível, ou um agregado de serviços significativamente melhor, e até mesmo das religiões das quais muitos fiéis desistem e mudam no meio do caminho; com o futebol isso rara, excepcionalmente, nunca acontece.

No futebol não existem concorrentes. Existem inimigos. Futebol não é questão de torcida, é uma causa. E por uma causa se é capaz de tudo. Até infinitas barbaridades cometidas por torcedores desequilibrados, ensandecidos, loucos.

Quando o Palmeiras caiu para a 2ª. divisão a torcida carregou o time nas costas e o comparecimento aos estádios foi maior do que quando o clube estava na 1ª. O mesmo aconteceu recentemente com o Corinthians, Vasco, e todos os demais clubes que vacilaram e caíram. Mas retornaram cobertos de glórias e declarações de amor de seus torcedores. Melhor, ou pior ainda, até hoje não tomamos conhecimento de alguém que tenha pedido para ser enterrado com a bandeira da Volks, da Apple ou da Natura. Mas todos os dias têm alguém enrolado na bandeira do Flamengo ou do Santos, e é quase rotina, nos grandes clubes, uma família pedir para jogar as cinzas no gramado.

Agora e como de costume, a revista Forbes publica seu ranking dos clubes. Pelo sexto ano consecutivo o Manchester United figura na primeiríssima posição. Se alguns brasileiros são fanáticos, todos os torcedores ingleses são fanaticíssimos! Se alguns jogos do Corinthians, São Paulo, Flamengo, Cruzeiro, têm meia plateia, todos os do Manchester tem plateia completa não importa o adversário. Seus 75 mil lugares são disputados a tapa e com muitos meses de antecedência.

No ranking de Forbes, algumas informações sobre o desempenho econômico e financeiro dos clubes. O Manchester, por exemplo, primeiríssimo colocado em todo o mundo, está avaliado pela revista em 1,83 bilhão de dólares. Tem uma dívida equivalente a quase a metade de seu valor. Registrou uma receita total de US$ 459 milhões em 2009 e um lucro de US$150 milhões. Depois, e na sequência, aparecem o Real Madrid, Arsenal, Barcelona, Bayern de Munique, Liverpool, Milan, Juventus, Chelsea, Internazionale. Deu para sentir; dentre os 10 mais, a metade é do campeonato inglês. Entre todos os clubes, em tese o melhor administrado é o Barcelona, com um endividamento zero, e um lucro de US$ 113 milhões, para uma receita de US$ 513 milhões.

Paixão! Apenas isso, paixão!

fonte: Propaganda & Marketing

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