Alegrei-me quando me disseram…

Charles A. Santana

O Governo Federal lançou recentemente o programa “Cinema Perto de Você”, que tem como objetivo estimular empreendimentos privados, com linhas de financiamento do BNDES, para a construção de 600 novas salas de cinema em todo o país. A meta é fazer com que todos os municípios com mais de 100 mil habitantes que ainda não tenham salas passem a tê-las. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória que, se aprovada, garante isenção de impostos federais para os novos empreendimentos. Lula cobrou dos governadores e prefeitos que façam o mesmo.

Até aí, nada demais. A polêmica surgiu no momento em que o presidente comentou o crescimento do número de igrejas evangélicas. Lula disse que muitas salas ou galpões foram vendidos ou alugados para igrejas porque elas oferecem mais lucro aos empresários. “Precisamos mostrar para o empresário que é melhor ter um cinema do que vender a sala para uma igreja”, disse. Não demorou até que a afirmação do presidente ganhasse a internet e gerasse muita polêmica em torno do assunto. Quase em unanimidade, evangélicos de todo Brasil criticaram a atitude de Lula lembrando a contribuição das igrejas para o fator social – diminuição dos índices de violência. A questão fundamental é: Afinal, em um bairro ou comunidade qualquer, o que seria mais eficaz para uma melhor qualidade de vida (“vida em abundância”, no melhor sentido) dessa população? Um cinema, ou mais uma igreja? Nessa eu estou com Lula. Prefiro, de longe, no meu bairro, um cinema! Dou meus motivos…

O primeiro e mais imediato é que eu sinto muito mais prazer em assistir a um bom filme no cinema do que ir a um culto na maioria das igrejas. Alegrei-me quando me disseram “vamos ao cinema”. Já quando chamam pra ir a uma igreja evangélica é bem diferente. Invento um compromisso, um mal-estar ou prometo ir outro dia. O pessoal da liturgia levou mesmo a sério essa história de que culto é sacrifício! É, realmente, doloroso ouvir os hits “gospel” de hoje. Mais duro ainda é engolir 40 minutos de porcaria teológica que jorram domingo a domingo da maioria dos púlpitos. Definitivamente, “não consigo me encaixar nesse esquema”, como diria João Alexandre.

Segundo: Um cinema traz cultura, educação, lazer e desenvolvimento humano e social. A maioria das igrejas evangélicas, não. É indiscutível que o nível cultural (e por que não espiritual?) de um frequentador de cinema, teatro, concertos de música e artes em geral é mais elevado que o de um crente mediano. Nossos seminários insistem que o Brasil é um celeiro missionário avivado e que os países europeus andam longe de Deus e amargam um grande “esfriamento” espiritual. Mas, e se não for bem assim? E se foi a Europa que encontrou a Deus nas artes, nas universidades, no dia-a-dia? E se é o Brasil que ainda tateia em sombras, como uma criança de 500 anos, procurando a Deus onde Ele certamente não está? Algo a se pensar em outro artigo.

Finalmente, no cinema sinto a presença de Deus. No cinema glorifico a Deus pelo talento dos cineastas, atores, pela arte e pela inteligência dos homens – verdadeiros dons espirituais. No cinema aprendo a pensar, criticar, admirar. Na maioria das igrejas evangélicas isso não acontece! Fico às vezes indagando se Jesus preferiria ir a uma igreja evangélica ou assistir a um filme interessante. Talvez ele aparecesse num domingo qualquer em uma daquelas raríssimas exceções. Talvez…

fonte: CharleZine

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