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Max Gehringer

Fui informado pelo departamento de Recursos Humanos que o supervisor que me contratou e me treinou será dispensado e que eu assumirei o lugar dele. Mantenho com essa pessoa laços de gratidão e de amizade. Não sei o que fazer. Ele ainda não sabe da situação. Devo dizer a ele? Posso recusar a promoção?
Pode, mas isso não iria mudar a situação de seu amigo supervisor. Se a empresa já decidiu substituí-lo, ele será substituído independentemente do que você venha a fazer. Seus sentimentos são nobres, sem dúvida, mas você não é responsável pela situação. A empresa viu em você condições para realizar um trabalho melhor. Quanto a antecipar a seu amigo o que vai acontecer, a cartilha corporativa manda você ficar calado até que a comunicação oficial seja feita por quem de direito. Mas, se eu estivesse em seu lugar, diria a verdade. Você precisaria ser muito dissimulado para passar vários dias fingindo que não sabe de nada, e pelo teor de sua mensagem isso não parece ser de sua natureza.

Pedir para anexar foto ao currículo não é uma forma de discriminação?
Sim e não. Não nos casos em que a aparência possa ser considerada um fator relevante para o desempenho da função. Recepcionistas, por exemplo. Porém, de modo geral, há tempos as empresas deixaram de colocar em seus anúncios de emprego a expressão “boa aparência” porque ela passou a ser percebida como discriminatória. Nesse caso, a solicitação da foto também seria. Não vejo problemas em um candidato anexar a foto por conta própria, mas vejo em uma empresa pedi-la sem um motivo plausível e justificável.

Gerencio uma filial regional de uma grande empresa. Recebi uma ordem para cortar 20% do meu pessoal. Não sei a quem cortar, e não sei o que dizer aos que serão cortados, porque nossos resultados têm sido bons e o ambiente de trabalho é excelente. Sinto que vamos destruir em minutos o que levamos anos para construir. Há algo que eu possa fazer para evitar esse desastre?
Certamente, a direção da empresa sabe o que está fazendo. Os resultados nacionais devem estar abaixo do esperado e cada filial terá de contribuir com sua dose de sacrifício. É um daqueles momentos terríveis na carreira de um gerente: sem saber dos detalhes e sem espaço para argumentar, terá de cumprir uma determinação. Pior, perante seus subordinados o gerente dará a impressão de que não soube lutar por sua equipe. Minha dica é cortar racionalmente, a partir dos resultados numéricos. Você pode solicitar uma prorrogação no plano médico dos que forem cortados. E, finalmente, tentar auxiliar os demitidos a conseguir recolocação. O que não se deve fazer é espinafrar a direção da empresa, como se os cortes tivessem sido uma decisão insensata. Além de não resolver o problema, criaria nos 80% restantes o desejo de ir embora na primeira oportunidade que surgir. Por mais que isso doa, o gerente precisa defender a postura da empresa. É para isso que ele foi contratado e é pago.

fonte: Época

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