Não dá para pendurar as chuteiras…

Robinson Cavalcanti

Aos poucos, vamos passando pelo “intervalo lúdico” de meio de ano: férias escolares e de alguns profissionais, a Copa, que, agora, não é nossa, mas… do Mundo, os festejos juninos/joaninos, e o impacto da devastação causada pelas enchentes na Zona da Mata de Pernambuco e Alagoas.

A “pátria de chuteiras” não pode pendurar as chuteiras, e os cristãos, com vidas missionárias, nunca penduram as suas. A bola (e a vida) continua a rolar. Há várias “copas” contínuas: a família, o trabalho, a igreja, e uma “copa” periódica de um jogo mais do que necessário, mas quase sempre perigoso: o jogo político. Esse é um ano de eleições no Brasil.

Sem nunca deixar de apontar para a “pátria celestial”, nos cabe uma responsabilidade na “pátria terrena”, o suspiro pela Nova Jerusalém não exclui o suor pela República Federativa.

Muitos cristãos continuam desinformados/equivocados/alienados, outros não se livraram do fantasma ultrapassado da “Guerra Fria”, e o “mundanismo” dos conchavos e acordos espúrios, das “ungidas” candidaturas ditas “oficiais” por igrejas ou denominações ferem o testemunho do Evangelho, emporcalham a vida espiritual e fazem os ossos de Lutero, Calvino, Simonton e Gunnar Vingren se revirar nos túmulos.

Apesar da propaganda, da manipulação e da maquilagem, os problemas estão aí: a falta de segurança pública, de educação pública e de saúde pública de qualidade, de habitação digna, de transporte de massa, de renda própria (sem cheques-provedores), do clientelismo estatizado e das “classes médias” artificiais, com os que têm mais continuando a ter mais ainda.

Até agora os candidatos não disseram para que vieram. Cadê um Projeto Nacional, que não seja a continuação do personalismo, e a disputa de quem pode ser o melhor continuador dele, parecendo com ele? Literalmente, este ano, “não há nada de novo debaixo do sol”, no nada ou na timidez do quase nada em termos de alternativas ao morno reformismo do status quo.

Se é assim ao nível nacional, o regional continuará no interminável conflito das oligarquias (desde as Capitanias Hereditárias), com o “centralismo realista” das cúpulas partidárias forçando de goela abaixo dos que ainda têm um restinho de ética os acordos os mais espúrios. E não há reforma política a vista, porque as distorções do sistema atual são uma das razões para o “sucesso” dos detentores do poder.

Mas, fé é uma coisa meio misteriosa, meio esquisita, meio teimosa, e não nos permite desistir, mas resistir e insistir.

O jogo da vida prossegue. Não podemos pendurar as chuteiras!

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