Sneijder, um craque católico

por William Murat

Esta dica veio através do meu amigo Wagner Moura, editor do blog “O Possível e o Extraordinário”.

Sneijder, o craque holandês que ajudou a despachar da Copa da África do Sul uma das seleções brasileiras mais medíocres de todos os tempos, é mais do que apenas um bom atleta. A história de sua conversão é muito bonita e pode ser vista brevemente no blog “Acarajé Conservador”.

A ironia fina de Pedro Ravazzano, do “Acarajé Conservador”, ao dizer que “Um católico conseguiu acabar com a seleção de protestantes”, ao falar do triunfo de Sneijder sobre o time de Kaká, Lucio e Robinho, é para fazer pensar. Evidentemente que não é o caso de se querer analisar a uma derrota por qualquer viés religioso, mas talvez seja o caso de tentarmos ver formas diferentes de servir à seleção inspiradas na religião.

Acho besteira, e besteira fenomenal, qualquer coisa que se aproxime de dizer que em uma Copa estamos em tempos de “pátria de chuteiras”. No entanto, creio que certa etiqueta devesse ser respeitada quando se trata de seleção, pois a seleção brasileira, mesmo que a CBF tente fazê-la sua exclusiva propriedade, é dos brasileiros. E é por isto que me incomoda quando vejo jogadores usarem a seleção para coisa outra que não seja jogar futebol.

Uma superficial busca por imagens de comemorações de gols de Kaká e Lucio mostra ambos fazendo o já famoso gesto de apontar com ambas as mãos para o céu, gesto este que é feito por inúmeros atletas hoje em dia. Desnecessário dizer que isto é mais uma jogada de marketing religioso de inúmeras seitas, que usam o futebol e o sucesso de algumas estrelas deste esporte para tentar passar uma mensagem de sucesso divino garantido àqueles que sigam seus caminhos. Ah! A falta que fazem os sacramentos! Mas isto é outra história…

O que acho ridículo é exatamente o fato de padronizar até mesmo a alegria natural da marcação de um gol para que ela caiba como uma luva no marketing religioso chinfrim de inúmeras seitas. Nada de soco no ar, como Pelé; nada de palavrões, como Rivelino em 1970; nada como a alegria juvenil de Garrincha ao marcar seus gols; nada como os braços abertos de Ronaldo Fenômeno… Nada disto! Os jogadores protestantes preferem mesmo é uma comemoração padrão e pobre, que serve mais a interesses provavelmente comerciais que a estravazar e simbolizar a alegria de uma nação que se orgulha de uma coisa que faz bem, que é jogar futebol.

Alguns podem dizer: “Ah! Mas eles estão contribuindo para a evangelização!” Não acredito nisto nem por um segundo que seja… Toda vez que vejo um idiota destes apontando para o céu, tenho a certeza que o que querem mesmo dizer é que olhemos para eles e que vejamos que sua opção religiosa é garantia de seu sucesso profissional e financeiro. Podem apontar para o alto, mas miram é em si mesmos, em suas imagens. Isto tem nome: é idolatria.

A verdade é que a massa protestante, a mesma massa que acha mesmo que existe uma “religião evangélica”, como se batistas, presbiterianos, metodistas e toda a miríade de pentecostalismos e neo-pentecostalismos que por aí existem, professassem a mesma fé, uma mentira que não se sustenta por 2 segundos no ar, esta mesma massa ignara sobre suas próprias orígens adora notícias que tragam a relação de jogadores “evangélicos” da seleção, pois isto dá vazão aos comichões idólatras que sentem por estes jogadores e por seu sucesso profissional e financeiro.

Claro que há até mesmo ironias, tal como o “evangélico” Filipe Melo, que declarou que Deus o havia mudado, que agora é uma pessoa “mais madura, mais tranquilo, melhor” e que nem sente mais “vontade de brigar com as pessoas”. E não é que Robben deve ficar satisfeito por apenas ter sido pisado pelo desequilibrado volante? Fosse o Filipe Melo de antes, talvez o atacante holandês saísse do campo de jogo direto para um necrotério…

A maneira católica é bem diferente… Eu só soube que Sneijder era católico ontem com a dica do Wagner Moura. Discreto, o meia holandês diz que reza no hotel antes dos jogos e que faz uma pequena oração antes de entrar em campo. Alguém o viu mostrando uma camisa que não a de sua seleção ao comemorar seus gols? Alguém o viu apontando para o céu e fazendo-se de garoto-propaganda sem que Deus lhe tivesse pedido tal coisa?

Evidente que um gesto de fé no campo é completamente aceitável e natural, sem que haja exageros. Exemplo: na final da Copa de 1970, Jairzinho, ao marcar o terceiro gol do Brasil em cima da Itália, corre para a torcida e, em dado momento, pára, ajoelha-se e, recolhido, faz o sinal da cruz. Recentemente pude vê-lo comentando exatamente este gol e o Furacão da Copa disse que ajoelhou-se e agradeceu a Deus pelo gol e por tudo o que estava acontecendo. Coisa completamente natural e bem contrária aos artificialismos de Kaká, Lucio e outros, que utilizam um momento de alegria compartilhado por milhões para suas agendas pessoais.

Sneijder, um recém-convertido ao catolicismo, ao mostrar a maturidade com que vive sua fé, bem diferente do estrelismo marketeiro protestante de certos jogadores brasileiros, dá uma aula de civilidade, de religiosidade e dá um verdadeiro baile em muita gente que só quer aparecer e posar de ídolo de gente ignorante.

Fonte: Católico x caótico

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