Usuários do Orkut discriminam vítimas das enchentes no Nordeste

Paulo Floro

No momento em que o País faz uma mobilização para ajudar as vítimas das enchentes em Alagoas e Pernambuco, um grupo de internautas decide deflagrar ódio em uma comunidade no site de relacionamentos Orkut. “Acho que os cabeçudos vão vir em massa pra SP, to muito preocupada com isso” (sic), diz Julia Schemman, uma das usuárias de uma comunidade aberta para reunir pessoas intolerantes aos nascidos no Nordeste. As discussões começam a ganhar repercussão em outra rede social, o Twitter, onde membros pedem que seja denunciado esse tipo de discriminação. A contenda chegou, por fim, ao Ministério Público, que vai investigar o caso, e avisa: A prática é crime e pode dar de 1 a 3 anos de cadeia.

Julia Schellman, que abriu o tópico “Enchentes no Nordeste”, é uma das moderadoras, usuário reponsável por gerir a comunidade no Orkut. A partir de seu comentário, diversos outros se seguiram, todos com a mesma ideia de que, com a tragédia das chuvas, mais nordestinos emigrarão para São Paulo e outras cidades no Sudeste. “Eles vão falar que perderam tudo na terra deles e vão procurar alguma beira de córrego em SP para construir barraco ou virar mendigos no centro da cidade”, disse Thiago Luiz logo em seguida. Um perfil que atende por Thomas Rebel foi mais explícito. “Seria bom se todos eles morressem na enchente, afinal nordestino é um animal q não sabe nadar”.

Segundo a Lei 7.716, de 5 de janeiro de 1989, conhecida como Lei Anti-Discriminação, é crime qualquer tipo de preconceito contra a procedência nacional. A pena é de 1 a 3 anos de prisão, além de multa. O mesmo texto ainda prevê punições para quem discriminar por causa da etnia, cor, raça ou religião. Um determinado trecho diz respeito ao que está acontecendo no Orkut. “Praticar, induzir ou incitar, pelos meios de comunicação social ou por publicação de qualquer natureza”.

O Ministério Público de Pernambuco, questionado pelo JC Online sobre o caso, afirmou que irá pedir ao Google, responsável pelo Orkut, que retire a página do ar. Também irá ingressar em juízo uma ação de reparação contra esse crime. “Esta é uma forma de violência e todos que participam dela respondem por apologia ao crime”, disse o promotor José Lopes de Oliveira Filho, que atua na investigação de crimes cibernéticos. “O problema é que muitos se valem do anonimato da internet para a prática de racismo e preconceito. A nossa lei ainda é muito branda para fatos como esse; estamos pelo menos 20 anos atrasados aos países europeus”, contou.

O Orkut tem um histórico de colaborar com a Justiça em casos que envolvem crimes praticados pela página. O site também disponibiliza uma ferramente que permite aos usuários denunciarem abusos como racismo e outros crimes. O MPPE vai analisar o que já foi postado, mas aconselha que os que se sentiram lesados salvem as páginas no computador, com o registro do dia e hora em que acessaram. “Como esse crime atinge um grupo amplo, o Ministério deve entrar com uma ação penal pública incondicionada”, adiantou.

fonte: JC Online
dica da Mandy Oliveira

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