Programa de governo não deve ser ficção

Bispo Robinson Cavalcanti fala ao Diario de Pernambuco

Peça de ficção, material ornamental ou algo só para constar oficialmente numa campanha eleitoral. São muitas as classificações dos cientistas políticos quando o assunto é a construção dos programas de governos. Apesar de desconhecidos do eleitor, eles aparecem como um dos itens indispensáveis nas eleições. Diante de tantas críticas, um questionamento vem à tona. Até que ponto a plataforma influencia em favor de um candidato? Sem contar com uma legislação que exija o cumprimento das promessas e que as propostas sejam publicadas obrigatoriamente na internet, os candidatos vão montando seus programas como bem entendem.

Para o cientista político e ex-coordenador do mestrado em ciência política da UFPE, Robinson Cavalcanti, uma maneira de a população acompanhar o cumprimento das promessas de campanha e cobrar os pontos que não foram colocados em prática seria o uso da internet. “Todos os candidatos deveriam apresentar seus programas na internet logo após as convenções. Deveriam ser disponibilizados para o eleitor das mais variadas formas. É preciso monitorar se o que está sendo prometido será cumprido ou se é apenas marketing. A população só pode verificar isso se tiver acesso”, defendeu.

Segundo Robinson Cavalcanti, a história política brasileira tem mostrado que os programas partidários são na prática peças ornamentais. “Nem mesmo os candidatos conhecem os programas dos seus partidos. Hoje temos mais de 30 legendas registradas no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Basta olhar as coligações. Todos os partidos se coligam com todos e as pessoas mudam de sigla como trocam de camisa. A fragilidade dos partidos se reflete no conteúdo dos programas”, informou Robinson.

De acordo com ele, o sistema eleitoral brasileiro reforça o problema. “Em 16 estados dos Estados Unidos, há o que eles chamam de recall. Se após seis meses da eleição o candidato não cumpriu o programa de governo ou está fazendo o contrário do que prometeu, os eleitores forçam uma nova eleição e o eleito pode perder o mandato. Aqui (Brasil) não há um dispositivo que faça o programa ser cumprido”, criticou.

fonte: Diário de Pernambuco

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