De “rei do pop” a “rei dos reis”

Amanda Fitzsimons

O nome David LaChapelle pode ser sinônimo de fotos de celebridades (ele já clicou quase, desde Lady Gaga até Hillary Clinton ao longo de seus 30 anos de carreira). Porém, como o fotógrafo de 47 anos, orgulhosamente lembra, seu sobrenome (“a capela”, em francês), é de origem huguenote. “Está, literalmente, no meu sangue, questionar a igreja”, diz ele.

LaChapelle faz exatamente isso em sua última exposição. Com o título de “American Jesus”, a mostra apresenta Michael Jackson, antigo amigo de  LaChapelle, em uma série de cenas bíblicas. As fotos foram feitas pouco antes de sua morte no ano passado. Outra amiga polêmica do fotógrafo, Naomi Campbell, faz um aparição como a Vênus de Botticelli.

Archangel Michael (Arcanjo Miguel)

Michael/Jesus e a virgem Maria

American Jesus (Jesus americano)

O site WWD falou com LaChapelle sobre o Rei do Pop, o martírio e os direitos sobre o nome de uma igreja.

WWD: Por que você escolheu para fotografar Michael em uma várias cenas religiosas?
David LaChapelle: Michael tinha pinturas de si mesmo em Neverland representado como um cavaleiro e rodeado por anjos e querubins. As pessoas podem pensar que ele era um egocêntrico, mas não é verdade. É porque o mundo se voltou contra ele. Quer dizer, [com essas fotos, ele está dizendo] “Eu não sou a piada e o horror a mídia está me forçando a ser.”

WWD:  Michael é a estrela do quadro que dá nome à mostra: “American Jesus”. Você acredita que ele foi um Jesus moderno?
DL: Acredito que Michael, em certo sentido, é um mártir norte-americano. Mártires são perseguidos e Michael foi perseguido. Michael era inocente e mártires são inocentes. Caso você vá ao YouTube assistir as entrevistas com Michael, não verá uma encenação. Há essa pureza e inocência que este manteve [ao longo da vida]. Se tivesse sido uma encenação, ele não poderia tê-la mantido por muito tempo. Se você ver o seu  show em Budapeste [1992]e compará-lo a uma apresentação da Madonna de hoje, verá a beleza inspiradora e uma mensagem que não vai ver em nenhum outro artista do nosso tempo.

WWD: Uma das imagens mais chocante é a foto abaixo, chamada “Thy Kingdom Come” (Venha o teu reino), que apresenta uma figura papal sentada em um trono, diante de uma pilha de homens nus mortos. Qual é a sua proposta com isso?

DL: Eu não estou condenando toda a Igreja Católica – é algo muito grande. Seria como condenar uma nação inteira e isso seria prejudicial. O que estou fazendo  é apontar uma ironia.  Existe uma instituição que sistematicamente protege padres pedófilos. Então olha para um inocente Michael Jackson, contra quem a corte da Califórnia gastou milhões de dólares tentando processar, mas não conseguiu porque era tudo uma grande *&#*#.

WWD: Você vem de uma família católica. Você é praticante?
DL: De vez em quando ainda vou à igreja. Fui outro dia e encontrei a paz. Eu tinha essa dualidade enquanto crescia, com um pai católico rígido e cujo irmão era padre, e minha mãe que encontrava a Deus na natureza. Então eu tenho tido um pouco de ambos [as tradições].

WWD: Seu tio viu as obras dessa mostra?
DL: Não. Eu não tenho contato com ele. A única vez que ele me escreve é para pedir dinheiro. Seu nome é Hector. Minha mãe o chama de “São Hector, o coletor de dinheiro.” A última vez que ele ligou, ele estava pedindo um milhão de dólares para colocar meu nome em sua igreja na Carolina do Norte, mas eu não aceitei.

Fonte: WWD

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