Identidade religiosa e uso da Internet

Micah Sifry, no Tech President

Recentemente perguntei a Aaron Smith, especialista em pesquisas da Pew Internet & American Life Project, se eles tinham dados sobre como o uso da internet pode variar conforme o tipo de afiliação religiosa. Contudo,  o Pew Internet não tem realmente olhado esta questão com profundidade, por isso não posso dizer se os mórmons tuítam mais que batistas, ou se episcopais atualizam seus perfis do Facebook com mais frequência que os luteranos. Smith teve a gentileza de investigar um pouco mais algumas tabelas genéricas de seu banco de dados sobre uso da tecnologia por aqueles que se identificam como membros de alguma religião (afiliados) versus os não-afiliados, agnósticos e ateus nos Estados Unidos. Talvez isso se reflita em outros países também.

Em resumo, diz Smith: “Geralmente, os não-afiliados” são mais propensos a usar a internet que os afiliados “com uma margem bastante significativa: 89% contra 74%. Portanto, se você acha que a internet está cheia de pagãos sem Deus, esse dado reforça sua opinião. Mas acredito que isso sugere que há uma relação inversa entre afiliar-se a uma religião e ficar online – embora, como veremos, não parece haver uma correlação entre alta frequência à igreja e menor uso da internet.

Outra constatação importante é que católicos hispânicos ficam atrás de outras religiões em seu índice de utilização da internet, cerca de 60%. Smith explica: “Como este estudo incluiu uma opção para a língua espanhola, o idioma parece revelar a diferença de domínio do idioma inglês são um elemento importante no uso da tecnologia.” Os principais grupos religiosos na América poderiam ser divididos da seguinte forma:

Protestantes históricos brancos: 82%
Evangélicos brancos: 73%
Evangélicos negros: 72%
Todos os católicos: 72%
Católicos brancos, não-hispânicos : 77%
Católicos hispânicos : 60%

Quando se analisa o uso da internet das pessoas com afiliação religiosa , há pouca diferença entre os frequentadores assíduos de igrejas e os que visitam eventualmente, Smith relata:

Quando se exclui afiliados desta equação e olhamos apenas para as pessoas que optaram por praticar uma religião, a regularidade da freqüência à igreja, na verdade, não está relacionada com o uso da internet de maneira significativa. Utilização da internet é de 72% para as pessoas que vão à igreja uma vez por semana ou mais, 76% para os que vão à igreja com menor regularidade (uma vez por mês ou algumas vezes por ano) e 75% para os menos assíduos (os que raramente ou nunca frequentam). Todos estão dentro da margem de erro da pesquisa.

Essa mesma tendência em grande parte é notada quando comparamos também as diferentes faixas etárias dentro do “grupo” a que estão associados. Em geral, há pouca ou nenhuma variação no uso da internet baseado na freqüência à igreja (embora deve-se notar que iniciamos com uma amostra relativamente pequena, com faixas etárias mais velhos, então eu não estou apresentando os números em detalhe). Em geral, enquanto o uso da tecnologia varia muito com a idade, não há muita mudança interna, com base na freqüência à igreja. Por exemplo, os idosos que vão à igreja muitas vezes praticamente tem os mesmos hábitos de uso da tecnologia que os idosos que raramente vão. O mesmo vale para os jovens adultos .

Smith também diz que os dados do estudo da Pew Internet não mostram muita variação em outros tipos de compra e uso de tecnologia dependendo do grau de frequência à igreja.

Possuem celular (entre adultos que escolheram uma religião)
Frequentam semanalmente: 75%
Frequentam mensalmente/anualmente: 70%
Frequentam raramente/nunca: 71%

Use mensagens de texto (entre os adultos que escolheram uma religião atual)
Frequentam semanalmente: 52%
Frequentam mensalmente/anualmente: 59%
Frequentam raramente/nunca: 61%

Possuem perfil em rede social (entre os adultos online que escolheram uma religião)
Frequentam semanalmente: 50%
Frequentam mensalmente/anualmente: 57%
Frequentam raramente/ nunca: 53%

Esta informação é baseada em uma pesquisa com 2.020 pessoas (incluindo amostragem por telefone celular), realizado janeiro 14-27, 2010.

Algum tempo atrás, evengélicos conservadores condenavam o uso de tecnologia (TV, rádio), depois passaram a atacar também a internet. Essa relação entre religião e aceitação de “avanços” é realmente bastante antiga. Basta ver os cultos na maioria das igrejas históricas. Parece que o novo século vai trazer uma nenhuma mudança significativa nesse sentido. Afinal, é crescente de recursos multimídia, Bíblias eletrônicas, softwares e aplicativos de celular pelos crentes. Sem falar em blogs maneiros como o nosso!

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