Plínio, o perigote do debate

Edmundo Leite, no Estadão

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Plínio de Arruda Sampaio roubou a cena no primeiro debate entre os candidatos à presidência ontem à noite na Band. Com um formato cada vez mais engessado por regras – convenientemente impostas pelos principais candidatos para aceitarem participar – qualquer um que saia um pouco do script acaba conquistando a simpatia do público, espírito de porco por natureza.

Na TV, segundo os primeiros dados divulgados, não teve muita audiência, mas bombou na internet. Após as primeiras gracinhas já no início do debate, o nome do candidato do PSOL começou a galgar posições nos Trend Topics do Twitter, o novo guia de nossas vidas (nas redações de sites jornalísticos, os TTs  estão virando uma espécie de biruta de aeroporto).

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Seria bom saber com quantos comentários se faz um trend topic e o alcance disso, mais ou menos como o Ibope faz com a TV. Ou mesmo a audiência dos sites que transmitiram o debate ao vivo. Isso sem falar nas outras redes sociais populares, como o Facebook e o Orkut.  Talvez desse para responder a boa pergunta  que o Mauricio Stycer fez após o debate:

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Difícil responder. E essa  talvez seja a resposta que todos as equipes de campanhas dos candidatos sonham em ter.  Mas o que dá para dizer, pelo menos do ponto de vista de quem assiste,  é que uma experiência coletiva bem bacana ver  debate pela TV e ao mesmo acompanhar os comentários pelo twitter ou na sua rede social preferida.

Tem muita gente postando comentários  legais e é como se a sala de casa virasse um outro imenso debate. Mas também tem mais gente ainda vendo aquilo que quer ver:  fazendo loas ao candidato preferido e comentários desdenhosos ao adversário odiado. Mas o que acaba acontecendo mesmo é que fica quase igual a assistir jogo de Copa do Mundo em bar. Creio  que esse é primeiro debate eleitoral no Brasil com um acompanhamento massivo e realmente expressivo pela internet. E aí voltamos ao Plínio.  Alguns já o consideram até como o vitorioso do debate, já que a princípio nem iria participar.

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Imagino que já deva ter bastante gente no PSOL comemorando a repercussão da performance de Plínio no Twitter e achando que ele será um diferencial na campanha. Com o sucesso da atuação engraçadinha, devem achar que talvez dê até para alçar vôos maiores e, quem sabe, até superar algum dos sisudos adversários.  Devem estar apostando  que Plínio se torne um novo Cacareco, Macaco Tião ou Enéas, que entraram para o folclore eleitoral brasileiro como misto de gaiatice e voto de protesto.

Nada contra o bom humor. Até mesmo na política. Mas não é por isso que os candidatos tenham que se transformar em animadores de auditório. O Serra até fez alguma menção – citando a filha –  à sua falta de riso no final debate de ontem. Ele e Dilma tem feito um esforço para soarem mais festivos e simpáticos em sua busca por votos. Mais uma vez, nada contra. Porém, ficar refém dessa ditadura da alegria não é legal. É como se todos os professores tivessem quer ser iguais aqueles professores de cursinho que dão aulas-shows. Nem todo mundo nasceu para isso e não é assim que se mede a qualidade de um professor e de uma aula. De um candidato a presidente, então, nem de longe pode ser um critério para o voto.

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A gaiatice de Plínio, apesar de não ser artificial, soou boba neste debate. Sem ninguém que tivesse coragem para dar  um corte nele, foi ficando cada vez mais à vontade.   Se acreditar que com isso fará sucesso nos outros debates, corre o risco de virar um daqueles quadros fixos da “A Praça é Nossa” (que teve mais audiência que o debate)  em que comediantes repetem seus bordões a cada programa.

Na Praça é divertido. No debate eleitoral, pode ter funcionado no começo.  Mas será que uma parte do eleitorado vai querer mesmo dar seu voto a um comediante?  Se sim, tem gente com chance no pedaço:  Tiririca, Pedro “ô loco meu” Manso e Batoré.  Os três gênios do humor popular disputarão vaga no legislativo apostando na máxima “palhaço por palhaço, fique com os originais”. Veja todos os famosos que estão concorrendo AQUI, AQUI, AQUI e AQUI

Mas o humor de Plínio é de outra natureza. Com 80 anos, ele  está naquela fase  em que uma das coisas legais da idade é não ligar mais para velhas convenções e para a compostura.  Sabe aqueles velhos que ficam falando besteiras para as meninas novinhas? Se um cara mais novo fala a mesma coisa tá arriscado a tomar um tapão e ser escorraçado. Já o senhor desbocado de cabelos brancos ganha um tapinha no braço acompanhado de risadinhas e um “seu velho safado”.  Um exemplo desse comportamento senil pode ser visto todos os domingos na TV, com o Silvio Santos cada vez mais safado e desbocado.

No twitter, a @tripolaroide e @amardinah captaram bem o estado de espírito do Plínio:

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Depois do programa, naquelas entrevistas ainda no estúdio cheio de gente, Plínio estava tão entusiasmado com o seu desempenho que, juro, deu uma leve gingadinha de corpo na hora de responder qual foi a sua avaliação do debate. A lembrança do genial Zé Bonitinho do Jorge Loredo foi imediata. Só faltou puxar o microfone e dizer “Plininho, o perigote do debate. Au, au”.

CONFIRA UM POUCO DA PARTICIPAÇÃO DELE NO VÍDEO ABAIXO

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