E-book na boca e no monitor do povo

O último fim de semana da 21.ª Bienal Internacional do Livro promete discussões sobre temas pontuais, além de programar tardes de autógrafos que já provocam alvoroço no Twitter. De um lado, livro digital volta a aquecer debates, como o que vai reunir amanhã os autores Ana Maria Machado e Moacyr Scliar, além do psicanalista (e também escritor) Contardo Calligaris. Juntos, vão tratar desde questões sobre a posição do amor e da paixão em tempos de banalização e individualização do afeto até o futuro da subjetividade do autor e do leitor com a consolidação, ainda que lenta, das mudanças tecnológicas no mercado editorial brasileiro.

No início da semana, durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, Scliar lembrou que a escrita, em tempos de internet, já é mais concisa, telegráfica até. “Os novos escritores já têm um pensamento mais fragmentado, sem que isso seja motivo de crítica”, alertou. Ele e Ana Maria já participaram de um evento em que se discutiram relações sentimentais, encontro que resultou no livro Amor em Texto, Amor em Contexto (Papirus 7 Mares).

A Bienal comprovou que o livro digital está mais presente em discussões que à venda nas prateleiras. Uma pesquisa realizada por empresa especializada no mercado brasileiro, a GfK, mostra que 67% dos entrevistados não conhecem o e-book, como é chamado o livro digital. A sondagem, realizada em maio com mil pessoas a partir dos 18 anos e moradoras de 12 regiões metropolitanas, revela que mais da metade dos entrevistados que conhecem o e-book (56%) pretende adquirir um modelo caso o preço seja acessível. E a maior parte dos participantes da pesquisa (71%) não acredita que sua chegada ao mercado seja uma ameaça ao livro tradicional.

Os dados mostram também que os consultados das classes C e D (76%), habitantes do Nordeste (74%), mulheres (72%) e pessoas com idades entre os 45 e 55 anos (72%) são os que ainda mais ignoram a existência do e-book.

A tecnologia, no entanto, tem servido para divulgar com eficiência eventos, especialmente os que envolvem o público jovem. É o caso de A Batalha do Apocalipse, de Eduardo Spohr, que chegou a comercializar 4.600 exemplares pela internet antes de ser publicado em papel, pela Verus. E, nesse formato, manteve o ritmo de ascensão – na lista dos mais vendidos publicada no Sabático, o livro figurou na sexta colocação na semana passada entre as obras de ficção, galgando três posições na lista divulgada na semana anterior. Também aparece entre os Trending Topics (assuntos mais citados) do Twitter, além de inspirar fóruns e comunidades no Orkut e Facebook.

Fonte: Estadão

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