Oh! Minas Gerais (35)

– Alô, sô Carlos? Aqui é o Uóshito, casero do sítio.

– Pois não, seu Washington. Que posso fazer pelo senhor? Houve algum problema?

– Ah, eu só tô ligano pra visá pro sinhô qui o seu papagai morreu.

– Meu papagaio? Morreu? Aquele que ganhou o concurso?

– Ele mermo.

– Puxa! Que desgraça! Gastei uma pequena fortuna com aquele bicho! Mas… ele morreu de quê?

– Dicumê carne istragada.

– Carne estragada? Quem fez essa maldade? Quem deu carne para ele?

– Ninguém. Ele cumeu a carne dum dos cavalos morto.

– Cavalo morto? Que cavalo morto, seu Washington?

– Aquele puro-sangue qui o sinhô tinha! Eles morrero de tanto puxá carroça dágua!

– Tá louco? Que carroça d’água?

– Prapagá o incêndio!

– Mas que incêndio, meu Deus?

– Na sua casa… uma vela caiu, aí pegô fogo nascurtina!

– Caramba, mas aí tem luz elétrica! Que vela era essa?

– Do velório!

– De quem?

– Da sua mãe! Ela apareceu aqui sem avisá e eu dei um tiro nela pensando que era ladrão!

– Meu Deus, que tragédia (começa a chorar)…

– Peraí sô Carlos, o sinhô num vai chorá pur causa dum papagai, vai?

dica do Will Carvalho

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