Primeiros cristãos aceitavam o casamento gay

Intolerantes de direita cristãos estão escondendo a verdade: primeiros cristãos aceitavam o casamento gay

Muitas das religiões do mundo – incluindo o Cristianismo – apoiavam uniões do mesmo sexo, uma realidade obscurecida pelo comentário conservador insistente. Ao longo da maior parte da História, especialmente antes do século IV, muitos Cristãos não compartilhavam a opinião de que o casamento era uma recompensa por ser heterossexual, nem de que uma união do mesmo sexo era condenável.
Um ícone do monastério de Santa Catarina no Monte Sinai ilustra esse ponto. Ele mostra dois santos Cristãos vestidos se casando. Seus pronubus (testemunha oficial, ou “padrinho”) é ninguém menos do que Jesus Cristo.

É um retrato Romano padrão de um casamento. A diferença: os dois santos são homens, mártires Cristãos do século IV, Santo Sérgio e Santo Bacchus, amigos chegados no exército Romano que foram alegadamente destacados por suas aderências ao Cristianismo antes de serem torturados e mortos.

Sua união, considerada romântica por alguns historiadores e demonstrada através da imagem do casamento no monastério de Santa Catarina, foi comemorada em muitas liturgias subsequentes. O historiador tardio da Yale John Boswell achou evidência de outras cerimônias cristãs do mesmo sexo continuando mesmo até o século XVIII. É ampla e falsamente assumido que as religiões do mundo uniformemente condenam uniões do mesmo sexo. Este erro é até repetido em decisões recentes favoráveis ao casamento do mesmo sexo pelo Juiz Supremo da Corte do Distrito Federal em São Francisco, Vaughan R. Walker.

É verdade que todas as grandes religiões exibem algum heterossexismo, uma tendência a favor da heterossexualidade em detrimento da homossexualidade. Contudo, as religiões também demonstraram abertura para uniões do mesmo sexo, uma realidade que comentários conservadores intolerantes, os quais dominam a esfera pública em assuntos religiosos e sexuais, têm bloqueado da opinião pública, até da visão do Juíz Walker.
Cristãos Conservadores que correm para o palco principal nos debates atuais citam os textos anti-gays da Bíblia, mas até eles não levam essas passagens a sério já que os textos também exigem a morte para gays ativos. Nem mesmo o pessoal do Tea Party é a favor disso.

Levíticos dizem sobre que qualquer um que faça sexo com alguém do mesmo sexo que “os dois deverão ser mortos por causa desse ato nojento; eles serão responsáveis pela sua própria morte” (Levítico 20.13).
Paulo escrevendo aos Romanos diz que aqueles que fazem tais coisas “merecem morrer” (1.26-32). Esses textos isolados – assim como outras passagens bíblicas que permitem a escravatura, sacrifícios de animais e poligamia – não são aplicáveis para hoje, embora eles continuem causando dano em igrejas modernas e nas câmaras de legisladores.

Essas passagens também vão contra os ensinamentos de Jesus nos evangelhos onde ele defende os perseguidos, incluindo aqueles acusados de ofensas sexuais, notoriamente requerendo dos Israelistas que estavam se preparando para apedrejar até a morte uma mulher dita adúltera que quem deles estivesse sem pecado “que [fosse] o primeiro a atirar uma pedra nesta mulher”.

Esta tolerância, frequentemente em meio a intolerância cruel, guiou muitos primeiros cristãos no Cristianismo. E como o Cristianismo primitivo, outras religiões do mundo demonstraram tolerância com uniões do mesmo sexo. Muitas autoridades budistas insistem que privilegiar uma orientação sexual em detrimento de outra não é um caminho para a sabedoria e insistem que o gerenciamento eficaz do desejo sexual é o problema moral, não a orientação daquele desejo ou o gênero do seu amado.

Acadêmicos Judeus mostram que normatividade hétero compulsória não encontra apoio nos valores básicos judaicos. Acadêmicos pioneiros no Islã argumentam que a pesar dos textos negativos do Corão sobre homossexualidade, um argumento Muçulmano concreto, baseado na justiça islâmica, pode ser feito para uniões do mesmo sexo. Lésbicas Muçulmanas praticantes, conhecidas como Samadiyyah, estão vivendo esta expressão de vida e tolerância Muçulmana. Algumas religiões indígenas Americanas descreveram pessoas “de dois espíritos”, isto é, minorias sexuais, de uma forma muito positiva. Acadêmicos Hinduístas mostraram que o respeito pela diversidade está no cerne de culturas Hindus. Desde os tempos remotos, os Hindus viam que as pessoas não eram divididas bem entre macho e fêmea e falavam de um “terceiro sexo” que abria espaço e normalizava gênero e variedade sexual e uniões do mesmo sexo. A visão religiosa que apoia uniões do mesmo sexo coexistiu em pé de igualdade ao lado da visão conservadora, restritiva.

Tomem nota, legisladores: porque religiões dão este direito e permitem esta liberdade de uniões do mesmo sexo, leis que legalizarem apenas a visão religiosa conservadora estarão violando a liberdade religiosa. As religiões são pluralistas acerca das uniões de mesmo sexo. Não é a função da lei cercear liberdades concedidas e autorizadas pelas religiões tradicionais. Cristãos conservadores que insistem que o “casamento tradicional” sempre foi “entre um homem e uma mulher” estão errados e desinformados historicamente. Portanto, eles são guias pobres para legisladores e juízes.

Há apoio forte em religiões do mundo para a visão de que o homossexualismo não é o problema; o heterosexismo é. Os princípios de justiça e igualdade que pulsam através daqueles clássicos falhos mas poderosos aos quais chamamos “religiões do mundo” estão indo na direção de ver o heterossexismo com sua resistência a uniões do mesmo sexo como uma classe com o sexismo, o racismo, anti-Arabismo e Anti-Semitismo. A humanidade precisa da sua diversidade exuberante mas os seres humanos fogem dela.

Como o teólogo William Sloane Coffin disse: “A diversidade pode ser a coisa mais difícil para uma sociedade com a qual viver – e talvez a coisa mais perigosa sem a qual viver.”

Daniel C. Maguire é Professor de Teologia Moral na Universidade Marquette, uma instituição Jesuíta Católica em Wilwaukee, Wisconsin, EUA. Seu email é daniel.maguire@marquette.edu .

Fonte: Alternet.org

Tradução: Gustavo K-fé Frederico

Comentários

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1 Comentário

  1. […] disso está num texto que li há um tempo, em que autor, ao tentar sustentar a tese de que os primeiros cristãos aceitavam o casamento gay, […]

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