Cadê você?

Até que o dia termine estarão desaparecidas de seus lares cerca de 60 pessoas. Algumas serão encontradas e levadas de volta às suas famílias. Infelizmente, muitas delas – principalmente crianças e adolescentes – nunca mais serão encontrados. Outras serão achadas sem vida. Por todo o Brasil, existem mães, pais, avós, filhos e irmãos que estão, há anos, em busca dos seus entes queridos. Não importam

Evanise Esperidião da Silva Santos tinha 34 anos quando a filha Fabiana, então com 13, desapareceu. Era dia 23 de dezembro de 1995 quando ela saiu para ir à casa de uma amiga. “Chovia muito e achei que ela pudesse estar esperando a chuva passar. Mas, o tempo é que foi passando e resolvi sair à sua procura”. Ivanise percorreu as ruas da região, perguntou para as pessoas e foi à casa das amigas da filha, até que, por volta das duas horas da manhã, resolveu buscar ajuda no 87º DP, em Pirituba. “Espere vinte e quatro horas para registrar a ocorrência” – foi o que ouviu dos policiais de plantão. Inconformada, não desistiu. Passou por outros distritos, hospitais de Taipas, Caieiras e Perus, na Grande São Paulo. Momentos de desespero intermináveis, que se transformaram em semanas, dias e meses sem uma única notícia. “Achei que fosse enlouquecer”, diz.

O desaparecimento de uma pessoa, nem sempre tem explicação. É como um palco, onde o personagem sai de cena e você não sabe se ele vai retornar. “Foram 53 dias inteiros, sem viver. Não comia, não dormia, eram dias sem fim que foram me desgastando”, conta Ivanise. Dos 55 quilos que pesava, chegou aos trinta e oito. Mais três meses de tratamentos psicológico e psiquiátrico com medicamentos fortes na tentativa de reduzir o impacto da perda da filha.

Apesar da saúde afetada, sua busca continuou em delegacias, hospitais e IMLs. “Esperava meu marido e minha filha menor dormirem e então, saía pela cidade com a foto dela nas mãos perguntando a qualquer pessoa que cruzasse o meu caminho se tinha visto a minha filhinha”, relembra, emocionada.
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No Brasil, é difícil a tarefa de se traduzir a dimensão do problema, que atinge indivíduos de ambos os sexos e das mais variadas idades. Todos os anos são mais de 200 mil casos de pessoas que desaparecem no país. Destes, cerca de 10 mil envolvem crianças e adolescentes. Os motivos dos números inexatos vão da precariedade dos sistemas de informatização à ausência de comunicação entre as polícias civil, militar e federal.

O Ministério da Justiça, por exemplo, reconhece que não existe um pograma para contabilizar os números de desaparecidos no país. Essa realidade aumenta ainda mais a responsabilidade do trabalho da Associação Brasileira de Busca e Defesa da Crianças Desaparecidas (ABCD) ou popularmente conhecida como Mães da Sé.

A entidade sem fins lucrativos, fundada há 14 anos, trabalha junto com os familiares e amigos de desaparecidos, atuando, ao lado de autoridades, na busca do paradeiro ou de informações que possam levá-los até essas pessoas. Também faz parte do trabalho oferecer apoio jurídico, psicológico e assistência social. Ivanise é a fundadora e presidente da ABCD. “Eu tinha uma vida normal. De repente, perdi o chão. Leia +.

fonte: Raça Brasil

recomendo a leitura de toda a (angustiante) reportagem.

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