O Jesus que eu conheci

“É uma pena que nós somos peritos em erguer bezerros de ouro enquanto a evidência de Sua maestria não dividir o céu e não estremecer a terra”

“Ele precisa de nós” é um dos perfis do Jesus que eu conheci. Outro perfil é o “Jesus que trabalha apenas em favor dos seus”.
Sempre haverá um novo perfil a Jesus; um avatar imaginado, teologizado e anunciado em pregações, livros e sites.
A Bíblia narra diversas formas de Deus se relacionar com a sua criação, porém Ele nunca foi a antítese de si mesmo e nunca se reduziu a mercê de quem quer que seja. Sua humanização e sacrifício foi uma auto-entrega e não indução ou coação.

Deus se revelou e continua a se revelar e minha ignorância impede-me de imaginar e dissecar as possibilidade e maneiras disso acontecer. Deus sempre surpreendeu o Homem e o que impede de que Ele ainda continue a nos surpreender?
É uma pena que nós somos peritos em erguer bezerros de ouro enquanto a evidência de Sua maestria não dividir o céu e não estremecer a terra – como um grande relâmpago na escuridão da noite.
Muitos vêem a necessidade de crer que para Deus ser amor é preciso negar o seu poder. Colocam o poder contra o amor e vice e versa.

Para alguns, o ato de Jesus se existencializar na história como homem e nos dar direitos e privilégios, faz dele um sócio da Humanidade. Como se Ele esvaziasse para sempre e desse a responsabilidade ao Homem para concluir aquilo que Ele foi incapaz de fazer sozinho.
O Homem de hoje é um ser cada vez mais consciente e intelectual. O cristão cada vez mais, aceita a idéia de que no ato do relacionamento com o próximo, há uma unidade, uma manifestação do divino como coroa do elo e até uma catarse.
Toda a saga humana esta intrincada nesse elo, na forma como vivemos, no tipo de gente que nos tornamos, porém, não nos enganemos: Jesus é chão e a coroa de tudo isso.

Bendito seja o cordeiro que tira o pecado do mundo e que julga a cada um que compõe o mundo.
Bendito seja o cordeiro que dá espaço para o Homem caminhar e costurar a história, porém Ele caminha junto e é o Grande pano de fundo.
Bendito seja o cordeiro que permite que o Homem seja “o artesão de uma nova história”, porém a sublimidade não está no tecer a história, mas no “permitir”; na reconciliação e enlace de todas as coisas. Aquele que inspira a autonomia humana é o próprio Deus. Aquele que recebe a inspiração e concebe a criatividade, a vereda e a individuação, é filho.
Bendito seja o cordeiro quando o Homem expressa o belo, pois o belo é apenas uma gota do suor de Cristo.

Vivemos uma época de liberdade, criação, criatividade e pluralidade em experienciar/expressar a vida cristã, contudo, não cai um fruto longe do pé. É tudo inspiração e gene do Verbo Encarnado.

Não existe super-servos, servos-desbravadores ou servos de vanguardas. Não existe servo indie ou filhos underground de Jesus. Não existe servo ou serva que não seja criatura microscópica e que pulula relvas verdes de elos e percepções diferentes, na Estrada chamada Jesus Cristo.
Cristãos desbravadores dos 7 mares são homens e mulheres que apenas podem se encantar mais com o Jesus Eterno.

A única coisa que muda entre os filhos de Deus são as idiossincrasias, gostos e hábitos. Qualquer modo de falar sobre Jesus ou Espiritualidade é efêmera e serve apenas para ser descartada e superada pela próxima geração.
Não se engane: nunca imortalize maneirismos ou formas, pois essas coisas só existem como parte dos mesmos; dos tais.
O que realmente vale é aquilo que o tempo não ofusca e que para Deus, é vital ao Homem.
O Jesus que eu conheci, dentre tantos que falam, é o Deus que, ainda que sua graça e misericórdia se renovam a cada manhã, é o Grande-Eu-Sou.

Na operacionalidade divina com o primitivo do Homem do Velho Testamento, na relacionalidade estabelecida na Nova Aliança, na inusitada soberania pela Ordem de Melquisedeque.
Todo ufanismo por ser autor ou co-autor depreciando a excelência de Jesus, é sofisma que precede a frustração.
O Jesus que eu conheci é Senhor dos séculos e séculos. Minha vida é minha autoria e a escrevo Nele e através Dele.

fonte: Mera Palavra

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