Marina: um novo ícone evangélico?

Eliézer Santos

E vamos para o segundo turno. Há alguns dias atrás postei uma reflexão do Marcelo Quintela que representa bem o efeito “Marina” no meio evangélico.

Tendo em perspectiva o texto que citei, deixemos de lado por um momento as paixões e os ideais políticos. Nem que fosse só para a “igreja” perceber a enorme distância entre sua prática e a mensagem do evangelho, a campanha presidencial deste ano já teria valido. Isso se ela tivesse “semancol” suficiente para perceber que está em palpos de aranha, o que não parece ter ocorrido ainda.

Marina, apesar dos predicados que possui como coerência, firmeza e caráter, ainda pode frustrar quem vê nela o ícone de algo que só o Evangelho pode traduzir. Longe de juízos pessoais, mas lastreado na verdade da Palavra, Marina tal como nós está sujeita à lei do pecado e à misericórdia da graça. Seu caráter não pode afastar de nós a lembrança de que tal como nós, ela pode nos surpreender com suas decisões tanto favoravelmente como negativamente. A prosseguir o modo como o meio evangélico a vem incensando, isso no futuro só pode terminar de um jeito: com decepção. Esse é o roteiro iconoclasta cristão.

Não transformemos Marina em um ícone político-religioso. Que a vejamos como alguém que aprouve ao Senhor levantar nesses dias, para que o Seu propósito se estabeleça dentro de um regime democrático de governo pela força do voto popular -independente de suas virtudes, frágeis por excelência, como é com qualquer um de nós. E que a cubramos com nossa intercessão pelas decisões que deverá tomar nestes dias respaldada pelos quase vinte milhões de votos que recebeu.

Apesar de na opinião de muitos de que agora o pleito se resumirá à escolha do candidato menos ruim, não cedamos aos apelos assombrosos ou profeteiros, muito menos à argumentações sem consistência em favor ou contra algum dos candidatos –muito menos mentiras e boatos. Esse turno exige de nós muito mais que simpatia ou fé nas promessas feitas: exige redobrado cuidado na escolha de nosso voto, lastreado em premissas que permitam à nossa consciência estar pacficada com a opção de candidatura escolhida.

E, como cristãos, procurarmos ser sempre sensíveis às percepções pessoais que o Espírito Santo nos leve a ter nessa questão, colhendo informações confiáveis sobre os candidatos, lançando fora o medo e levando nosso voto em oração à Deus permitindo que Ele nos guie nessa decisão. Somente Ele e mais ninguém.

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