As redes sociais podem fazer bem para a nossa alma

Caleb Gardner

Nós, cristãos, amamos dizer “não”, especialmente quando se trata de algo que nossa cultura aprova com entusiasmo. Gostamos de analisar tudo que possa ter um mínimo sinal de pecado. Se achamos esse indício, rejeitamos aquilo imediatamente, e nos alegramos por termos percebido a tempo e ainda ajudarmos nossos irmãos cristão, alertando-os. Em diferentes momentos do século passado, dissemos “não” para o rádio, a televisão, o cinema e o rock’n’roll. Hoje, muitos de nós estão na iminência de rejeitar as mídias sociais da mesma forma. Em minha opinião, isso é um erro que poderia trazer um alto custo à Igreja, prejudicando sua relevância.

Se você não está ativamente envolvido com as mídias sociais, pode não perceber o impacto que elas estão gerando na maneira como as pessoas se comunicam. Muitos estão classificando-as de “a maior mudança em nossa cultura desde a Revolução Industrial”. A velocidade de adoção das pessoas ao Facebook foi mais rápida que a do rádio, da televisão e até da própria Internet. A Igreja não pode simplesmente ignorar essa mudança, pois para os que optaram em participar delas, as redes sociais podem proporcionar oportunidades incríveis. [nota: Para uma perspectiva diferente sobre como as redes sociais podem nos afetar, leia este artigo AQUI, de Shane Hipps]

Novas ferramentas de comunicação

Cada vez mais as empresas estão adotando as redes sociais como uma forma de criar um vínculo pessoal com seus clientes. Um grande exemplo disso é a conta do Twitter @comcastcares, mantida pela equipe da Comcast Corporation, o maior provedor de internet e TV a cabo dos Estados Unidos. As companhias de TV a cabo não são exatamente as mais populares, mas a equipe tem conseguido usar essa conta para comunicar-se diretamente com seus clientes, resolvendo seus problemas e ajudá-los a sentir-se importantes.

Se as corporações gigantescas conseguem fazer isso usando as redes sociais, imagine o que as igrejas poderiam fazer. Precisamos encarar os fatos: em geral a Igreja, enfrenta hoje algo que nós, os relações públicas, chamamos de “um problema de imagem.” Ao usar as mídias sociais, cada igreja pode contar suas próprias histórias, interagir com nossa cultura e superar a opinião bastante comum que os cristãos são fanáticos que odeiam tudo. As redes sociais podem ajudar a humanizar a Igreja novamente.

Algumas igrejas americanas têm contratado gerentes da comunicação em tempo integral para coordenar suas comunicações digitais. Esse é um grande passo para as igrejas que podem arcar com esses custos. Mas há muitos pastores que deram passos positivos sozinhos, criando seus próprios perfis ou blogs, conectando-se com as pessoas em suas congregações em um nível mais profundo entre um culto de domingo e outro. Essas interações não substituem a comunicação ao vivo, que será sempre essencial para a relação humana, mas servem para complementá-la, gerando mais coisas em comum entre eles.

Também conheço pastores que usam as redes sociais como ponto de partida para conhecer novas pessoas. Eventos como Twicontros reunem usuários num mesmo ambiente e dão um rosto humano a cada avatar [identidade digital]. Redes sociais servem como um quebra-gelo para gerar relacionamentos significativos.

Novas ferramentas para a construção comunitária

A queixa mais comum que eu ouvi sobre as redes sociais é que elas levam ao narcisismo. Para os críticos, Twitter e Facebook nada mais são que ferramentas para a divulgação de detalhes mundanos de sua vida para os seus amigos. Mas essas pessoas acabam esquecendo que as redes sociais são inerentemente sociais. A razão pela qual as pessoas compartilham os detalhes da sua vida geralmente não é para seu próprio prazer. Especialmente em nosso mundo, estando cada vez mais separadas, as pessoas querem se conectar com amigos e familiares através de experiências comuns. É claro que pessoas com tendências narcisistas usam as redes sociais com fins narcisistas, mas podem fazer isso usando qualquer outro meio. Assim como escutar rock não leva necessariamente a uma vida de sexo e drogas, as redes sociais não estão diretamente relacionadas ao narcisismo.

Na verdade, eu diria que as redes sociais podem ser uma ferramenta poderosa para ajudar a fortalecer as comunidades off-line. Quando eu liderava um pequeno grupo em minha casa alguns anos atrás, usávamos o Facebook como uma forma de continuar as conversas sobre questões teológicas profundas que começamos na reunião, além de servir para saber diariamente como as pessoas estavam. Tenho certeza de que o mesmo pode ser feito em pequenos grupos ou células em todo o mundo.

Um exemplo ainda melhor: a minha igreja recentemente fez uma experiência utilizando as hashtags do Twitter [palavras ou frases que são destacadas com #]. O pastor nos incentivou a buscar a Deus em nossas experiências cotidianas, e, em seguida tuitar sobre isso usando a hashtag #WhereISawGodToday [#OndeViDeusHoje]. Muitos membros de minha igreja decidiu  participar e isso não apenas nos fazia pensar sobre onde Deus estava em nossas vidas, mas também nos capacitou a ver como Deus estava movendo na vida de outros. Uma simples busca no Twitter aproximou-nos ainda mais como comunidade.

Novas ferramentas para fazer o bem

O TwitChange [campanha no Twitter para ajudar o Haiti liderada por um pastor] é apenas um exemplo de como as redes sociais está sendo usadas para mudar o mundo. Até então as instituições de caridade nunca foram sido capazes de reunir pequenas doações de tantas pessoas que, quando somadas, acabaram tendo um enorme impacto naquele país. Mesmo assim, a quantidade de igrejas que eu vi aproveitando o poder das mídias sociais para fazer o bem é minúsculo em comparação com o seu potencial.

As redes sociais também podem mudar a vida de uma pessoa. Uma das minhas histórias recentes favoritas envolve uma tia que postou em seu blog notícias sobre seu sobrinho, Tanner (AQUI), que está morrendo em consequencia de um tipo raro de distrofia muscular. Ela queria desesperadamente realizar o último  desejo do sobrinho (que inclui reformar sua casa) e convidou os membros das comunidades virtuais que participava, incluindo amigos blogueiros, para ajudá-la. A causa se transformou em um movimento chamado “Tutus para Tanner,” e já arrecadou mais de 34 mil dólares, superando a meta original. Aqueles que dizem que estamos em perigo de “perder a alma” aos meios de comunicação social não deve estar lendo essas histórias.

A cultura cristã sempre acabou absorvendo todos os meios de comunicação que algum dia criticou. Espero ansiosamente que o acolhimento das mídias sociais ocorra em um ritmo muito mais rápido. Sei que existem alguns exemplos disso vindo de grandes igrejas que eu admiro. Em vez de protestar contra essa mudança, as igrejas inteligentes vão usar as mídias sociais para comunicar a mensagem de Cristo de maneira inovadora ao público receptivo desta geração.

Caleb Gardner é estrategista digital de uma empresa de relações públicas durante o dia; marido, pai e blogueiro à noite. Esse artigo fui publicado pela revista Relevant (AQUI). O site de Gardner chama-se The Exceptional Man e esta é sua conta no Twitter.

Tradução de Jarbas Aragão. Todos os direitos de tradução reservados

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