Segundo turno: hipocrisia e demagogia

Júlio César

Em meio a essa discussão nacional sobre o aborto repleta de hipocrisia e demagogia, tanto daqueles que são contra quanto daqueles são a favor da descriminalização, a começar dos candidatos Dilma e Serra, que competem para ver quem promove mais baixaria, quem é mais hipócrita e quem mente menos, ouçam um posicionamento sensato e cristão da ex-senadora Heloísa Helena.

Subscrevo integralmente o que ela disse. Embora não comungue de muitas de suas idéias políticas, a respeito por se ruma pessoa que não viola sua consciência ética em prol da coletividade partidária, não justifica e nem omite a denúncia da corrupção por razões ideológicas e políticas. Denunciou a corrupção no governo FHC e não deixou de fazer no governo Lula. É uma pena o povo alagoano ter preterido ela em prol de Renan Calheiros e Benedito de Lira.

Que neste segundo turno cada um vote – ou deixe de votar – naquele que acredite ser o melhor ou o menos ruim para o país. Todo os dois tem aspectos positivos e negativos, tem uma folha de serviços prestados com acertos e erros, absolutos e relativos. Não transformemos, porém, o debate numa guerrilha, numa disputa moral, num fratricídio. Infelizmente às vezes vejo amigos e colegas brigando por causa de política, desqualificando moralmente o outro por votar diferente – que coisa mais estúpida e imbecil. Brigam os amigos e logo os políticos pelos quais eles brigaram se acertam e fazem negócios.

Ninguém é melhor ou pior pessoa, moral ou imoral, solidário ou egoísta por votar na Dilma ou no Serra. E também ninguém mais ou menos amado por Deus por votar em um ou no outro. Entre os dois eleitorados tem gente boa e ruim, moral e imoral, solidária e egoísta. Debatemos e propagandeemos nossas preferências políticas, é legítimo e saudável se queremos escolher com um grau mínimo de racionalidade. Mesmo que não, que seja apenas por paixão também é legítimo. A política não é uma ciência exata, pode no máximo ser compreendida, jamais explicada. Mas estejamos cientes que nenhum dos dois é santo, assim como nenhum dos dois é o demônio. Ambos são movidos por projetos de poder, tem parcerias espúrias e tem parcelas da grande mídia a seu serviço. Ou seja, ambos tem telhado de vidro.

Tem gente alienada que vota no Serra, assim como tem gente alienada que vota na Dilma. E tem gente politizada que vota no Serra assim como tem gente politizada que vota na Dilma. Embora, muita gente ache que só tem consciência quem vota no seu candidato, e ache que quem vota no outro é alienado.

Que no processo de decisão olhemos o passado dos candidatos, os governos que eles participaram, o contexto e a conjuntura que em eles governaram, e os efeitos presentes, a curto, médio e longo prazo das políticas que implementaram e defendem. Além, é claro, das segundas intenções de suas propostas. Sejamos responsáveis por nossas escolhas, porque informação não falta, para que elas sejam feita com consciência.

Plagiando o querido pastor Ariovaldo Ramos, ganhe quem ganhar, a atitude comum da Igreja deve ser de oração, de se por de joelhos em súplica a Deus pelo governo. Ao mesmo tempo que ela deve ser profética, denunciando os pecados do governo – seja de que partido for – e colaborar em todas as ações políticas que ressoem o Espírito do Evangelho sem jamais se tornar num aliado incondicional.

Já decidi o meu voto. Votarei nesse segundo turno, porém, sem a alegria do primeiro.

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