Nova reforma protestante (10)

Ricardo Alexandre

Alguns freqüentadores desse site (como o Alexandre Luquete) sugeriram que eu publicasse a versão sem cortes da reportagem “A Nova Reforma Protestante”. Organizando meus arquivos, achei uma versão do início de junho, provavelmente a primeira vez que considerei o texto concluído. Também me deparei com diversos trechos inéditos isolados em arquivos diferentes – mas estes nem eu mesmo me lembrava para que serviriam. Reli há pouco o texto completo e resolvi publicar aqui, atendendo os pedidos.

Vou adiantando ao amigo leitor que a versão publicada em “Época” é infinitamente melhor, mais clara, redonda, organizada e comunicativa do que a que segue. Mas esta “uncut” registra um pouco mais do meu trabalho de apuração e pode ser interessante tanto para quem gosta de entender sobre o trabalho de carpintaria de edição de uma revista quanto para o leitor cristão – já que algumas discussões propostas pela matéria, notadamente as mais voltadas para as internas do movimento evangélico, acabaram ficando de fora na revista, e estão agora recuperadas.

O processo todo foi especialmente longo. Depois dessa versão, que já havia me custado uns sete meses de entrevistas, pesquisas e trabalho de campo, eu encaminhei o texto para um grupo de amigos, alguns jornalistas, alguns pastores, outros consultores, alguns evangélicos e outros ateus, e fui observando os comentários deles. Foi só então que notei, por exemplo, que os amigos da editora Mundo Cristão estavam onipresentes. Notei que a utilização do termo “pós-moderno” não era clara e que aquele parágrafo sobre política defendida pelo bispo Robinson Cavalcanti acrescentava muito pouco ao raciocínio completo. Minha preocupação maior era que as idéias aparecessem mais do que as pessoas, porque achava que eram as idéias que deveriam ser discutidas e aprofundadas nas igrejas e nas comunidades entre os leitores.

Em seguida, comecei a mexer no texto tendo as sugestões como referência e levando em conta o ritmo de leitura. Lembro que em uma das últimas edições ainda no Word, entrei numas de deixar todos os parágrafos com exatamente oito linhas, para garantir que nenhum trecho fosse mais penoso para o do que outro. Foi só aí, um mês depois de concluir a versão abaixo, que mandei o texto para a direção da “Época”.

Na última semana, enviei o texto para o designer Daniel Pastori Pereira aplicar no layout e, então, fiz o último corte na tela. Essa última versão, layoutada, eu enviei para outro grupo de amigos, pedindo para que lessem num esquema “overnight” porque a edição definitiva seria feita na manhã seguinte. Essa edição fizemos eu e o Helio Gurovitz (diretor da “Época” semanal) na máquina dele, algumas horas antes de o texto seguir para a revisão e dali para a gráfica. Ou seja, o que você vai ler, é o bruto do bruto do bruto do bruto, portanto desculpa qualquer coisa 😉
Eu chamaria a atenção para algumas modificações principais. A primeira é o tamanho. Quando o texto foi para o lay-out, ele já estava com 18 mil caracteres. Essa versão abaixo tem mais de 10 mil caracteres a mais. A segunda é a preocupação que a gente teve de limar os jargões e as construções que só fizessem sentido para os evangélicos – como “escandalizar” e coisas do tipo. Em terceiro lugar, acho importante confessar que a entrevista com o Bispo Gê, da Renascer, e a não-entrevista com o Edir Macedo, da Universal, que entraram na versão publicada, não estavam nos meus planos originais. No início, eu achava que interromper o texto para uma sessão de argumento e contra-argumento entre pastores seria péssimo para o leitor entender o todo. Mas o Helio me convenceu de que nem essa suposta clareza compensaria a ausência do imprescindível “outro lado”, o direito que os criticados têm de dar a sua versão dos fatos em qualquer exercício de bom jornalismo. Obrigado, Helio, ficou realmente muito melhor e mais correto.

Por último, supondo que esse texto vai circular serelepe pelo cyberespaço, eu diria que, mais de dois meses depois de publicado, esse trabalho ainda me deixa muito grato e feliz – embora eu entenda perfeitamente que alguém já o considere “has been” e página virada. Acho que agora, ao menos para mim, é a hora de aprofundar as discussões que ele levantou, levar para a prática e para as igrejas. Por exemplo, no próximo sábado, dia 23/10, eu falo para pastores e líderes em Jundiaí num evento organizado pela Associação Batista da região; na sexta-feira seguinte, dia 29/10, vou até a querida Igreja Batista Central de Campinas para falar com os pastores daquela região. Fico muito feliz de ver que um trabalho que fiz com tanto carinho e expectativa tenha incentivado e estimulado tanta gente, muitos dos quais me escreveram emails que vou guardar para sempre.

Soli Deo gloria, claro, sempre.

fonte: Causa Própria

clique aqui p/ ler a versão sem cortes.

pra quem ñ sabe, o Ricardo Alexandre ganhou recentemente o Jabuti c/ o livro “Nem vem que não tem – A vida e o veneno de Wilson Simonal”. parabéns! =)

last but not least, o blog dele tb está no Twitter: @causa_propria #SIGÃO

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