Os super-heróis e a religião

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Em uma palestra para apresentar “Os 99”, a nova geração de heróis dos quadrinhos, seu criador Naif Al-Mutawa (natural do Kuwait) defende que eles podem ajudar a esmagar estereótipos e combater o extremismo. O artista os criou em 2007 e tenta mostrar nesse vídeo como muitos dos heróis populares trazem consigo elementos típicos da religião. Judaísmo, cristianismo e agora islamismo contribuem para a formação desses personagens que povoam o imaginário em todo o mundo.

Agora serão lançadas nos EUA histórias que unem o grupo de heróis muçulmanos aos heróis típicos da civilização judaico-cristã. Uma série com 26 episódios de desenhos animados apresentando os heróis muçulmanos já foi produzida e em breve entrará no ar nos EUA no canal The Hub, que substituiu o Discovery Kids. A série foi produzida em parceria com Endemol, criadora de programas como o Big Brother. Com a lucrativa onda de filmes baseados em heróis dos quadrinhos não deve ser surpresa se em breve surgirem filmes de ação baseados nesses novos heróis. Mas jornais como o New York Post já fez duras críticas à idéia de expor crianças americanas a “doutrinação de mentes facilmente impressionáveis.”

Naif Mutawa, é psicólogo e já foi banido da Arábia Saudita por causa de sua visão do islamismo. Depois de ver os árabes sendo retratados sistematicamente por Hollywood sempre como vilões e terroristas, decidiu criar heróis com traços árabes e com histórias com fundo islâmico. Os 99 são chamados assim por causa das 99 características de Alá, seus personagens fortalecem as mensagens positivas do islamismo e culturas miscigenadas para criar uma nova estrutura moral que combata o mal ou até mesmo se juntar à Liga da Justiça da América.

Os 99 são divididos em 49 homens e 50 mulheres. Seus poderes  e histórias de vida são baseados em idéias islâmicas, mas a religião não é um elemento predominante, a intenção do autor é que eles possam “transcender todas as barreiras de língua e cultura”. Mas talvez isso não seja tão simples quando os leitores se depararem como heróis como Batina, uma mulher muçulmana, natural do Iemem que combate o crime usando nada menos que uma burca. Além dela, há personagens de diferentes partes do mundo como Jabbar, o Poderoso, nascido na Arábia Saudita e Hadya, a Guia, que vem de Londres, entre outros vindo de locais como a Filipinas e países da África. O líder da equipe é o dr. Ramzi Razem, uma espécie de alter-ego do criador, que apresenta inclusive semelhanças físicas com Naif Al-Matuwa. Ele não nega a semelhança e afirma que metaforicamente, “o dr Ramzi está tentando usar os 99 para melhorar a humanidade, então, sim, existe um paralelo “.

Para conseguir aceitação e apoio financeiro para o lançamento de sua criação, Mutawa procurou um fundo de investimento islâmico, ligado a extremistas defensores da sharia [lei religiosa islâmica]. Isso fez com que ele fosse acusado nos EUA de tentar doutrinar as crianças com histórias que defendem a sharia. Mas essa não era sua intenção, afirma. “Tenho um alvo de longo prazo […] tentar consertar o islã fazendo parte dele”. Assim como os heróis que criou, ele continua acreditando que o mundo pode ser salvo do mal.

Tradução das legendas  Tulio Leão e revisão de Belucio Haibara

Vídeo disponível no TED e texto adaptado do  The Guardian por Jarbas Aragão.

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