Campanha contra perseguição a jovens gays chega à igreja

Líderes religiosos  concordaram em apoiar um projeto de vídeo lançado recentemente nos EUA. Juntando-se a celebridades e políticos, eles asseguram a jovens  gays e lésbicas que “as coisas vão melhorar.”


Na foto acima:  Mark S. Hanson, presidente da Igreja Evangélica Luterana na América, Barack Obama, presidente dos EUA, Hillary Clinton, secretária de Estado, Gene Robinson, bispo episcopal participam do Projeto It Gets Better.

Numa mensagem vídeo divulgada dia 28/10, o bispo presidente da Igreja Evangélica Luterana na América, disse às vítimas de bullying que Deus os ama. “Escutei, com dor e pavor, os relatos de jovens que tiraram suas próprias vidas depois de terem sido humilhados e perseguidos por serem diferentes, serem gays ou perecerem gays, por serem as pessoas que Deus as criou para ser” disse o pastor Mark S. Hanson. Ele enfatizou ainda: “Você é um filho amado de Deus. Sua vida revela a dignidade e a beleza da criação de Deus. Há um lugar para você neste mundo e na igreja”.

O projeto It Gets Better [as coisas vão melhorar] foi fundado pelo ex-católico Dan Savage. Segundo dados do projeto, 9 de cada 10 alunos GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros) são vítimas de bullying na escola. Mais de um terço deles já tentou cometer suicídio. Procurando oferecer algum apoio aos jovens GLBT, foram gravados dezenas de vídeos de pessoas comuns e também de famosos, procurando oferecer esperança e relatando histórias de superação de bullying e de como encontraram a felicidade.

Entre os famosos que gravaram mensagens em vídeo estão as cantoras Jewel, Kesha e o grupo Dixie Chicks, o ator Neil Patrick Harris, a secretária de Estado Hillary Clinton, o presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, o blogueiro Perez Hilton e Randy Roberts Potts, neto do televangelista Oral Roberts.

Recentemente, o presidente Barack Obama também deu apoio ao projeto. Expressando choque e tristeza pela morte de vários jovens que foram perseguidos e cometeram suicídio, Obama declarou:

“É de partir o coração. Algo que simplesmente não deveria acontecer neste país. Quando você é alvo de chacota ou é intimidado, pode parecer que, de alguma forma, fez algo para ser diferente ou por não ser igual a todo mundo. Mas o que eu quero dizer é: Você não está sozinho. Você não fez nada de errado. Temos que acabar com esse mito de que o bullying é apenas um rito normal da passagem, uma parte inevitável do processo de crescimento. Não é.”

Este vídeo foi postado por brasileiros que participam do projeto. É possível ver todos os vídeos AQUI )

Alguns líderes eclesiásticos que gravaram mensagens reconhecem que alguns cristãos podem ter causado dor aos jovens gays. “Às vezes, palavras ditas por meus irmãos e irmãs cristãos lhe machucaram. Também sei que o nosso silêncio lhe causa dor”, afirmou Hanson, cuja denominação passou a aceitar abertamente pastores gays no ano passado.

Gene Robinson, bispo episcopal de New Hampshire, usou uma retórica mais dura. Ele apontou o dedo para os católicos, batistas e mórmons que dizem aos gays que sua vida não é aceitável a Deus. “Sendo uma pessoa religiosa, quero dizer a vocês que eles estão totalmente errados. Deus lhe ama do jeito que você é”, disse o bispo assumidamente gay, cuja ordenação em 2003 causou tumulto na Comunhão Anglicana. Seu vídeo gerou polêmica por causa do ataque a outros grupos religiosos.

Robinson tem direito de defender sua opinião e ter sua própria teologia moral. Podemos discordar respeitosamente de suas conclusões. Mas não consigo respeitar a maneira como ele desrespeitou  abertamente (na verdade, deturpou) os ensinamentos morais dos outros”, disse Greg Kandra, um diácono católico da Diocese de Brooklyn, NY, em um post no blog Beliefnet.

Desde o recente suicídio de adolescentes gays, líderes evangélicos têm notado que muitos estão culpando a Igreja por usar do que classificam como “retórica antigay.”

O comentarista evangélico Chuck Colson classifica isso de uma tendência preocupante e teme que o lobby gay possa usar as tragédias para impor sua agenda e silenciar os que se opõem a eles. Apesar de chamar os cristãos para condenar o bullying em todas suas formas, também destacou a necessidade de os cristãos defenderem a moralidade bíblica, mas “de uma maneira que rejeita a condenação e convida ao diálogo e à conversão”.

Jim Daly, presidente do Focus on the Family, também não acredita ser  correto afirmar que o cristianismo é culpado pelas tragédias, simplesmente porque igrejas e organizações como a sua ensinam que as Escrituras mostram que a prática homossexual está fora do plano de Deus para a sexualidade humana.

Na verdade, ele acredita que o cristianismo, quando devidamente interpretado e praticado, é a solução para qualquer tipo de maus-tratos. “Se há um único fio condutor em toda a Bíblia e na fé que ensina, é este: quando se trata de direitos humanos e como devemos tratar uns aos outros, ninguém é superior ou inferior ao outro. Sim, o pecado existe e Deus não o ignora. Mas ele abraça o pecador, isso inclui a cada um de nós “, escreveu ele em um post no blog sobre religião da CNN.

“Portanto, violar a dignidade de outra pessoa, de qualquer forma ou maneira, é contradizer a própria base de uma vida centrada no Evangelho. Sugerir que uma compreensão ortodoxa do cristianismo incentiva o abuso contra os homossexuais é uma leitura triste  e errada dos princípios da fé. ”

Fonte: Christian Post.

Tradução e edição Jarbas Aragão. Todos os direitos de tradução reservados

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