Mensagem de Jesus para os gays: tudo vai melhorar

Randy Roberts Potts

Há uma história no Evangelho de Marcos, capítulo 2, sobre um paralítico que desejava ser curado. Ele não conseguia sair de seu leito, mas soube que Jesus estava na cidade e poderia curá-lo.

Quatro amigos vieram, cada um segurou em um lado de sua maca, e o levaram pela cidade até a casa onde Jesus estava. Quando chegaram lá, o lugar estava tão cheio que não conseguiram entrar. Ergueram o homem em sua maca até o telhado de palha. Aos poucos, começaram a baixar o homem pelo buraco que abriram no teto. Jesus perdoou o homem de seus pecados, disse que estava curado e poderia tomar o seu leito e voltar para casa. Ele foi imediatamente curado apenas com aquelas palavras.

Dois mil anos depois, há um tipo de pessoa nos EUA que, assim como aquele homem, está à procura de cura. Pessoas do meu tipo. Homossexuais. Pessoas que meu avô, o famoso pregador Oral Roberts, e a maioria dos outros em sua geração descreveram como ‘abominação’.

O evangelista Oral Roberts começou em uma humilde tenda de avivamento e depois fundou um ministério que administrava milhões de dólares, além de criar uma universidade que leva seu nome.

Homens  e mulheres gays estão batendo impacientemente na porta do presidente, do Senado, do Congresso, desejando entrar, na esperança de serem curados. Neste momento, eles estão baixando seus leitos cor-de-rosa em assembleias por todo o país, insistindo que sua voz seja ouvida.


Depoimento de Randy para a campanha It gets better, veja mais AQUI

Como pode uma abominação desejar cura?

Poderíamos sentar e debater, sem parar, se Deus vê ou não a homossexualidade como uma abominação. Ele disse isso, claramente, durante o surgimento de Israel como nação, mas naquele tempo a ingestão de mariscos e roupas de dois tipos diferentes de tecidos também eram abominações. Poderíamos discutir o que Jesus quis dizer ao afirmar que as antigas leis do povo foram abolidas, e resumiu tudo em uma única lei, nova e abrangente: amarás o próximo como a ti mesmo. Podemos sentar e conversar, durante anos, se este amor também se estende aos homossexuais, se você pode amar o pecador, mas não o pecado, se dizer ou não aos gays que eles que vão para o inferno é parte integrante das boas novas que Jesus veio à Terra para trazer.

Poderíamos entrar nesse debate. Entretanto, esse mesmo grupo de homens e mulheres homossexuais está clamando, implorando por cura. Muitas vezes, vários gays acabam se suicidando por não desejarem mais viver em um mundo no qual esse debate é mais importante que o seu bem-estar. Eles não podem visitar seu parceiro no hospital. Não podem casar legalmente com o parceiro que amam, e com quem viveram, na saúde e na doença, às vezes durante dez, vinte e até 30 anos ou mais. Poderíamos olhar para os prós e contras da decisão do exército americano em acabar com a política do “eu não pergunto, você não diz”, e se os militares podem ou não suportar servir ao lado de gays assumidos. Poderíamos debater indefinidamente o que Jesus teria feito…

Há homens e mulheres que hoje esperam pela cura, enquanto os saduceus e fariseus debatem o assunto. Não concordo com muito do que meu avô ensinou, mas ele estava certo sobre uma coisa: a cura é simples. Trata-se de estabelecer um ponto de contato entre uma fonte de poder e uma pessoa com necessidades. Há uma necessidade de que homens e mulheres de todas as religiões alcancem e ofereçam cura aos seus irmãos e irmãs gays. Que possam acolhê-los como cidadãos iguais, com direitos iguais, pondo fim à discriminação. Se pecamos – e diz a Bíblia que todos pecaram – então perdoe-os, deixe-os ir para casa, curados e restaurados. É tempo de cura. É tempo de ser ousado. É tempo de olhar nos olhos de homens e mulheres gays e dizer-lhes: toma o teu leito e anda.

Randy Roberts Potts é o neto gay do televangelista Oral Roberts. Trabalhou com delinquentes juvenis na Costa Leste dos EUA, foi educador social na cidade de Oklahoma, professor de inglês por cinco anos em uma escola de ensino médio, antes de decidir seguir a carreira de escritor. Siga-o no Twitter @randyrpotts

Fonte: Washington Post
Tradução e edição: Agência Pavanews. Todos os direitos de tradução reservados.

Para quem não domina tão bem o inglês, destacamos o que dizem as primeiras frases no quadro-negro do vídeo.

Meu tio, Ronald David Roberts, nasceu em 1945, filho mais velho do televangelista Oral Roberts, meu avô.  Meu tio Ronnie, como eu, era gay. Ele escreveu cartas publicadas após a sua morte que ele “saiu do armário” quando cursava o ensino médio, mas apenas seus amigos íntimos e família sabiam. Seu pai, Oral Roberts, foi o primeiro televangelista e possivelmente um dos mais famosos pregadores da cura pela fé desde Jesus Cristo.  Centenas de milhões de pessoas de todo mundo assistiam ao seu programa. Ele não queria um filho gay. As declarações anti-homossexuais de Oral Roberts foram tão veementes que podem ser vistas até hoje no Youtube, 40 anos depois. Depois de chegar aos 30 anos de idade, 6 meses depois de seu divórcio e de se assumir de vez, meu tio morreu, em 10/06/1982, dando um tiro em seu coração. Eu também sou gay e minha mãe, assim como o pai dela, não quer um filho gay. Ela fez questão de me dizer um ano atrás, no dia do funeral de meu avô, em frente a 4 mil pessoas, que o inferno existe e é para lá que eu vou. Meu tio e eu fomos criados em um mundo dominado por evangélicos que ensinavam, e ainda ensinam, que as chamas do inferno aguardam por homens e mulheres gays. Esse é o legado “cristão” evangélico para gays como meu tio e eu: ameaças, bullying, morte. Mas, para mim, e muitos outros, a história não acaba aqui. Cinco anos atrás, quando me divorciei e “saí do armário”, me senti como meu tio Ronnie: na casa dos 30 e morrendo de medo de perder meus filhos porque eu sou gay. Fui seguidamente chamado de “veado” por estranhos e pela minha ex-mulher. Assim como meu tio, antes de mim, cheguei a um ponto de total desespero. O suicídio de homens e mulheres gays em comunidades evangélicas continua acontecendo. Os evangélicos podem não estar na rua matando os gays – o registro da polícia diz que meu tio se matou. Contudo, enquanto a comunidade evangélica pode não estar de fato puxando o gatilho quando um de seus membros comete suicídio, eles seguidamente contribuem para isso.

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