Mais profissionais e femininos, blogs evoluem

Sabrina Olivetti, do Coisas de Diva: site tem anunciantes e parcerias, mas o que move as autoras é mesmo a satisfação pessoal

Franco Iacomini

Elas não são maioria, mas a sua influência está crescendo. O site americano Technorati, que mo­­nitora e analisa o mundo do conteúdo on-line, concentrou nas mulheres o foco de seu último estudo sobre blogs, intitulado “O Estado da Blogosfera”. E o que ele revela, muita gente já vem percebendo: o ambiente dos blogs está cada vez mais profissional, e ca­­da vez mais feminino.

O levantamento foi feito com 7.205 blogs, que responderam a um longo questionário enviado pelo site. É a maior amostra já obti­­da pelo Technorati desde que a pesquisa começou, em 2004. Embora o número seja pe­­queno dentro do universo de diários virtuais existente na rede – estima-se que o total esteja já na casa dos milhões –, ainda tra­­ta-se do estudo mais completo so­­bre o assunto. De acordo com o relatório, 49% dos blogs concentram-se nos Estados Unidos, seguidos pela União Europeia (29%) e pela região da Ásia-Pacífi­co (12%). A América do Sul, de acordo com o Technorati, contribui com 3% do total. O fato de os questionários terem sido em inglês, entretanto, pode ter distorcido um pouco essa estatística.

O relatório deste ano mostra que a blogosfera não é mais uma comunidade iniciante, mas, sim, um mundo estabelecido – ainda em fase de transição, é verdade – que mantém um diálogo sus­­tentado com os grandes meios de produção de conteúdo. Dos blogueiros que responderam a pesquisa, 33% declaram já ter trabalhado, em algum mo­­mento, na mídia tradicional, seja como redator, repórter, produtor ou apresentador. Desses, a maior parte declarou ter trabalhado para revistas mensais (39%). Mais da metade planeja publicar mais frequentemente no futuro e 43% quer ampliar a lista de temas por eles tratados em seus sites.

Em geral, quem bloga é mais escolarizado e tem renda familiar superior à média da população mundial: 79% dos blogueiros têm diploma universitário e 43%, pós-graduação. E os blogs podem ser lucrativos: 11% dizem que o blog é sua principal fonte de renda.

Elas mandam

Em 2009, de acordo com a pesquisa, as mulheres eram 33% dos blogueiros. Já neste ano, elas correspondem a 37% dos autores. O maior impacto desse crescimento é sentido pelas empresas com forte presença online, uma vez que as moças – principalmente se forem mães – se mostram muito mais dispostas a escrever sobre produtos e marcas. Também é do sexo feminino a maior disposição para gostar de páginas co­­merciais no Facebook e compartilhar links sobre empresas no Twitter.

Essa estatística inclui gente como a designer gráfica curitibana Sabrina Olivetti, uma das autoras do blog Coisas de Diva (www.coisasdediva.com.br). Há dois anos, ela e duas amigas mantêm o site, que surgiu como hobby – assim como 64% dos blogs do planeta, de acordo com a Technorati. “Sempre estávamos trocando links sobre cosméticos e maquiagens e até participávamos de um fórum sobre o assunto”, conta. “Foi então que surgiu a vontade de ter um blog próprio.”

A princípio, a ideia era fazer resenhas sobre cosméticos e outros produtos de beleza, mas outros assunto foram entrando em pauta. Elas passara a escrever sobre lançamentos, dar dicas de maquiagem, comentar o visual de mulheres famosas e até abriram uma sessão chamada Coisas de Macho, em que quatro rapazes fazem seus comentários so­­bre o universo feminino. O Coisas de Diva ganhou um espaço dentro do site da revista Gloss, da Editoral Abril, e conta 30 mil acessos por dia. “O blog acabou ficando muito maior do que um dia eu poderia imaginar”, admite Sabrina.

Para ela, o que mais atrai no blog é a interação com as leitoras. Os comentários são muitos, assim como as mensagens trocadas no Twitter – a conta do Coisas de Diva tem 9.700 seguidores.

Nisso, a trajetória do Coisas de Diva é semelhante à dos blogueiros entrevistados pelo Techno­rati. Mais da metade deles (53%) observou que tem feito mais posts porque gosta da interação com a audiência. E o Twitter é a principal forma de atrair a atenção dos visitantes, usada por 67% dos blogueiros.

É, os blogs andam cada vez mais profissionais. Mas eles continuam sendo, principalmente, um meio de expressar a opinião do blogueiro – para 74%, sua própria satisfação pessoal é a melhor medida do sucesso do site. Por isso poucos se preocupam em tirar dele o ganha-pão. No Coisas de Diva é a mesma coisa: apesar de terem adicionado banners e até de terem feito alguns posts patrocinados, 80% das resenhas do site são de produtos que as próprias blogueiras compram. Nas palavras de Sa­­brina: “Se todos os anunciantes retirarem os banners do blog, vamos continuar escrevendo da mesma forma, pois ele é um hob­­by, não um trabalho”.

Quem é quem

A pesquisa do Technorati definiu quatro perfis de blogueiros. Confira abaixo quais são eles.

– Hobby – Segundo o levantamento, aqueles que blogam por hobby ainda são a espinha dorsal da blogosfera, totalizando 64% do total. Essas são as pessoas que escrevem por diversão e não obtêm nenhuma receita relevante a partir do blog. Livres para opinar, 51% deles dizem expressar seus pontos de vista por meio dos posts, e 74% medem o sucesso do blog de acordo com a sua satisfação pessoal. Muitos são profissionais em outras áreas e sequer cogitam transformar o blog em atividade remunerada.

Meio-expediente – Para esses, o blog não é um emprego em tempo integral, mas eles devotam tempo significativo a ele. 61% dizem que usam mais de três horas por semana para redigir e publicar seus posts, e 33% deles contaram atualizar o site pelo menos uma vez por dia. Os blogueiros de meio expediente contam usar o site para “complementar a renda” e relatam receber por isso em média US$ 6.333 por ano. Esse perfil corresponde a 13% da blogosfera.

Corporativos – É o menor grupo, respondendo por apenas 1% das pessoas que responderam ao ques­­tionário do Technorati. Eles relataram que escrevem em tempo integral para uma emprea ou orga­­nização, embora apenas 2% deles dizem dedicar 40 horas semanais ao blog. Além disso, apenas meta­de deles diz receber um salário fixo. Sua receita não salarial, entretanto, está acima dos US$ 17 mil anuais, e a renda familiar está em torno dos US$ 50 mil – o que parece indicar que o blogueiro está, na verdade, complementando a renda da casa com sua atividade.

Autônomos – É a segunda maior “fatia”, com 21% do total de blogueiros. Esse grupo afirma escrever em tempo integral ou ocasionalmente para sua própria empresa ou organização. Desses 57% contam ter uma empresa e manter um blog sobre um assunto relacionado a ela. 65% deles administram sozinhos o blog. É o grupo que mais escreve sobre negócios, e 62% declaram ter uma visibilidade maior no seu segmento de atuação graças ao blog.

fonte: Gazeta do Povo
foto: Ivonaldo Alexandre

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