Pelo menos a humanidade

É da natureza do homem simpatizar apenas com as coisas que lhe dizem respeito, que tocam-no diretamente em algum ponto – por exemplo, o infortúnio. O céu, onde reina a felicidade ilimitada, encontra-se por demais acima da condição humana para que a alma seja vivamente afetada pela bem-aventurança dos eleitos; não conseguimos nos interessar mais do que moderadamente por seres perfeitamente felizes. É por essa razão que os poetas tem tido maior sucesso em descrever os infernos: pelo menos a humanidade está ali, e os tormentos dos culpados lembram-nos das misérias da vida.

François René de Chateaubriand (1768-1848) em O gênio do cristianismo

via A Bacia das Almas

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