O mundo está menos pacífico em 2010

O mundo se tornou menos pacífico pelo segundo ano consecutivo, de acordo com o levantamento do quarto Índice Global da Paz (GPI – Global Peace Index). O Índice é uma tentativa de “medir” como anda a paz no mundo. A lista começou a ser organizada em 2007, abrangendo 127 países. Em 2010 esse número chegou a 149. Esse levantamento tem o apoio da revista inglesa de negócios The Economist, que ajuda no levantamento de dados e na divulgação dos resultados.

O Índice Global da Paz foi fundado por Steve Killelea, um empreendedor de tecnologia internacional e filantropo australiano. Único estudo a quantificar a paz global, o GPI é produzido pelo Instituto de Economia e Paz (IEP – Institute for Economics and Peace), um grupo global de pensadores dedicado à pesquisa e ensino da relação entre economia, negócios e paz. Um painel internacional de especialistas nos estudos da paz fornece consultoria em relação à identificação e ponderação dos indicadores do Índice, que é compilado pela Economist Intelligence Unit.

Na medida em que a economia global continua a vacilar, os dados deste ano mostram uma intensificação dos conflitos e uma crescente instabilidade em conexão coma retração econômica iniciada em 2008, com diversos países enfrentando acentuado aumento nos homicídios, manifestações violentas e medo de serem vítimas de crimes.

Calcula-se que a violência causa impacto anual de US$ 7 trilhões. Ou seja, o aumento na violência está privando a economia global de ativos numa época em que estes são mais necessários. Uma redução de 25% na violência global liberaria US$ 1.8 trilhão por ano. Isso seria suficiente, por exemplo, para liquidar totalmente o débito da Grécia, financiar a obtenção dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e atingir as metas 20-20-20 da União Européia para o clima e a energia.

Composto de 23 indicadores qualitativos e quantitativos, o estudo combina fatores internos e externos, variando de gastos militares a relações com países vizinhos e níveis de crimes violentos.

“A pesquisa realizada pelo IEP com base em 4 anos de dados do GPI, fornece uma demonstração quantificável de que uma melhoria na paz pode transformar a economia global e desencadear a riqueza necessária para enfrentar o débito, financiar a expansão econômica e criar um meio ambiente mais sustentável”, disse Steve Killelea, fundador do GPI.

A Nova Zelândia, o país melhor classificado, foi um dos três únicos países entre os dez primeiros a melhorar a paz, conforme o Índice de 2010. A Islândia passou para o segundo lugar, na medida em que a economia do país se estabilizou, depois de tem caído para o quarto lugar na classificação do ano passado, uma melhoria que demonstra a flexibilidade das nações pacíficas.

Comentando os resultados, o professor Jeff Sachs, diretor do Earth Institute da Universidade Columbia, disse: “O GPI continua seu trabalho pioneiro, chamando a atenção do mundo para o volume maciço de recursos que estamos desperdiçando com a violência e o conflito. As vidas e o dinheiro desperdiçados nas guerras, prisões, sistemas de armas, comércio de armas e muito mais, poderiam ser direcionados para o fim da pobreza, a promoção da educação e para a proteção do meio ambiente”.

Georg Kell, Diretor Executivo do Pacto Global das Nações Unidas, disse: “Esta pesquisa indica claramente a forte e positiva relação entre a paz e os fatores críticos para operações empresariais bem-sucedidas, incluindo tamanho de mercado, estruturas de custos e lucros”.

Apesar da diminuição mundial, o Oriente Médio, o Norte da África e a África Subsaariana obtiveram os maiores ganhos desde o início da pesquisa, em 2007. As razões para esta melhoria são variadas, mas incluem mais estabilidade política e uma queda nas despesas militares no Oriente Médio e Norte da África e diminuição no acesso às armas; uma diminuição nos conflitos e melhores relações com países vizinhos da África Subsaariana.

Por outro lado, o Sul da Ásia mostrou a maior diminuição da paz, como resultado do crescente envolvimento em conflitos, do aumento nas mortes causadas por conflitos internos e pela violação dos direitos humanos. Os principais países que experimentaram diminuição da paz foram a Índia, Sri Lanka e Paquistão. Na comparação anual, a América Latina apresentou a queda mais acentuada devido ao aumento da violência interna, homicídios e aumento nos níveis de criminalidade percebida.

Os EUA melhoraram sua classificação, mas perderam três posições no índice devido à adição de novos países e à reclassificação por causa do número de armas pesadas. Este ano os EUA observaram sua maior melhoria na paz durante os quatro anos do estudo, através de uma diminuição na instabilidade política e no número de mortes em conflitos externos.

A Europa Ocidental continua a ser a região mais pacífica, com a maioria dos países classificada entre os 20 primeiros lugares. Todas as cinco nações escandinavas se classificaram entre as 10 primeiras; entretanto, a Dinamarca caiu cinco lugares para a 7a. posição, por causa da diminuição do respeito pelos direitos humanos e o contínuo envolvimento no Afeganistão.

O Iraque, a Somália e o Afeganistão foram os países menos pacíficos pelo segundo ano consecutivo. A Síria, Geórgia, Filipinas, Rússia e o Chipre foram os países com as quedas mais acentuadas deste ano.

O Instituto para a Economia e Paz na Mídia, organização do mesmo grupo da IGP, divulgou pela primeira vez este ano um estudo chamado  “Medindo a Paz na Mídia”. Os resultados mostram amplas inconsistências  em todas as geografias e redes, com as emissoras  dos EUA muito mais focadas na violência e os conflitos do que os seus congêneres europeus e do Oriente Médio. A Al Jazeera foi considerada a rede que ofereceu a cobertura mais equilibrada sobre o Afeganistão. A BBC World liderou na amplitude da cobertura, estabelecendo um novo ritmo.

Regularmente são acompanhadas  transmissões  em 67 países, de todos os continentes. O estudo analisou 37 telejornais e programas de atualidades de 23 redes em 15 países e depois cruzados isso com o Índice Global da Paz, que mede o nível de paz e de violência em 149 países.

Reportagens positivas sobre a paz representam apenas 1.6% do número total de matérias examinadas no estudo. Na maioria, são histórias que relatam as medidas tomadas para corrigir situações de violência. Uma porcentagem tão pequena pode estar relacionada com o que as redes de comunicação consideram como atrativo para a audiência. O fator determinante é se a notícia é interessante, dramática, de alto impacto ou controversa. No entanto, os dados de nações que tem pontuação baixa no Índice Global de Paz mostra que existe uma espécie de ciclo vicioso: as redes não veiculam mais sobre a paz porque a audiência não parece atraída por notícias de paz.

Jarbas Aragão, para a agência Pavanews. Para mais informações, visite o endereço da Vision for Humanity

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