Deu, é amor

Wilson Tonioli

Machucou-se no arame farpado
de uma relação imponderada…
Tolerante, invadiu o terreno cercado,
invisível, mas de escancarada
proibição a qualquer um que deseja paz.
É isso meu rapaz: deu, é amor.
Se o mundo lhe incomodava
e não mudastes de mundo,
mas entrastes profundo,
como quem vai pra cova vivo
e, num buraco frio e sem fundo,
metestes tua mão para os vermes,
e deu a outra sem alívio,
e deu os pés pros excrementos,
e deu o peito pros xingamentos,
e deu a mente confundida e só,
para as morais triturarem a pó…
É isso meu pobre rapaz: deu, é amor.

Que miserável te tornastes,
sem palavras e sem razão,
sem juízo e sem sermão.
Nu das virtudes te achastes
se só o que lhe resta é amor.
Se só o que lhe resta é dar.
E como não lidas com os conceitos,
não sabes do que tudo isso é feito.
Então pra contaminar o meu torpor,
mesmo que de longe lhe digo:
deu, é amor.

fonte: Verticontes

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