Após hits espíritas no cinema, “Aparecida” é resposta católica

Ana Paula Souza

Se há um fenômeno capaz de fazer frente ao fenômeno “Tropa de Elite 2” em 2010 é o dos filmes de fé. Os espíritas “Chico Xavier” e “Nosso Lar” levaram quase 8 milhões de espectadores ao cinema.

Se o filme católico da temporada, “Aparecida – O Milagre”, que chega hoje aos cinemas, vender mais alguns milhões de ingressos, a tríade religiosa não terá feito nada feio nos negócios.

O contra-ataque católico foi, segundo os produtores, mera coincidência. “Aparecida”, dirigido por Tizuka Yamasaki, começou a sair do papel há três anos. “Queríamos fazer algo sobre a fé brasileira. E a santa é quase uma síntese da brasilidade”, diz Paulo Thiago. O produtor lembra que, quando o projeto começou a sair do papel, ainda não havia os filmes espíritas no ar.

“A estreia no mesmo ano é um acaso. Agora, não sei se a existência dos três filmes é coincidência ou sinal dos tempos”, pondera Thiago. “É o Brasil da violência e da fé. É céu e inferno.” Seria, quase, deus e o diabo na terra dos blockbusters.

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Murilo Rosa e Maria Fernanda Cândido em cena de "Aparecida, O Milagre", de Tizuka Yamasaki
Murilo Rosa e Maria Fernanda Cândido em cena de “Aparecida, O Milagre”, de Tizuka Yamasaki

RICOS FIÉIS

A exemplo do que aconteceu com “Chico Xavier” e “Nosso Lar”, que tiveram o empurrão da Federação Espírita, “Aparecida” terá o endosso da Igreja Católica. O filme foi feito com o consentimento e o apoio do Santuário de Aparecida e todas as paróquias estão mobilizadas para divulgá-lo.

Thiago nega, porém, que a mão da igreja tenha pesado no roteiro, absolutamente fiel aos princípios católicos da família. “Eles pediram para ler o roteiro. Mas o que mais os atraiu foi o fato de o filme não ser uma pregação religiosa”, diz o produtor.

Apesar de mirar, fortemente, o público da classe C, “Aparecida” fez as primeiras aparições na tela para espectadores católicos pertencentes à classe A.

As pré-estreias paulistanas aconteceram nos shoppings Iguatemi e Vila Olímpia, com uma lista de convidados de PIB nada desprezível. “Queremos mostrar para as pessoas que Aparecida é um lugar lindo, que elas não precisam viajar para o exterior para conhecer uma basílica”, diz Silvia de Aquino, organizadora da sessão do shopping Iguatemi, amiga de Dom Damasceno, arcebispo de Aparecida.

Produzido em associação com a Paramount e aporte de um patrocinador privado –que colocou dinheiro do próprio bolso no filme, mas não quer aparecer de jeito nenhum–, “Aparecida” estreará com cerca de 270 cópias no país. As cidades do interior e as zonas mais populares receberão várias delas.

Fonte: Folha.com

 

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