Fim de ano

Eliézer Sanches

Estamos a poucos dias para o início de 2011.

Normalmente a correria das festas de fim de ano nos vários círculos de relacionamento (família, trabalho, igreja, escola) sorvem de nós o tempo para refletirmos sobre o ano que está findando. Acabamos por deixar para fazer isso depois que os eventos previstos foram realizados, durante as férias de início de ano ou em um momento público de contrição (missas, cultos ou encontros) convenientemente planejados para tal, onde todos fazem o mesmo em busca de um ambiente propício para tal introspecção.

O volume de informações para ser processado acaba sendo grande para tão pouco tempo, então acabamos por fazer uma “geral”, com os fatos mais marcantes tanto positiva como negativamente e, sobre isso, damos nosso veredicto: foi bom ou foi ruim e com isso planejar o ano que se inicia.

Tendemos a esquecer os fatos corriqueiros do da a dia e que nem percebemos que nos fazem tão bem: o beijo do cônjuge, o abraço dos filhos, o companheirismo dos amigos, a presença de nossos pais. Acabamos por enfatizar o carro novo, a casa reformada, o novo emprego, a promoção na empresa, o aumento de salário. São coisas boas também, mas uma nota de R$100,00 já te consolou na frustração? Seu carro novo tirou uma boa nota na escola e veio correndo alegre para repartir sua conquista contigo? Seu apartamento novo te consolou na perda do emprego?

E se à vista disso tudo nos propusermos a fazer uma retrospectiva que valha à pena mesmo, não essa coisa “vapt-vupt” tradicional do fim de ano? Que tal pegar seus álbuns de fotografias e lembrar daquela viagem -que foi dura de pagar- que te deixou tão feliz? Ou recordar da visita daquele amigo querido que há anos não se viam? Daquela aventura -loucura até- que te deu frio na barriga mas depois viu o bem que te deixou? Do encantamento com o pôr-do-sol ou com ondas do mar arrebentando nas pedras? E, ainda, apreciar mais uma vez aquele CD ou DVD que você gosta tanto?

E à vista de tudo isso, lembrar que o usufruto de tudo isso é dom de Deus: “Que proveito tem o trabalhador naquilo em que trabalha? Tenho visto o trabalho que Deus deu aos filhos dos homens, para com ele os exercitar. Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs o mundo no coração do homem, sem que este possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até ao fim. Já tenho entendido que não há coisa melhor para eles do que alegrar-se e fazer bem na sua vida; e também que todo o homem coma e beba, e goze do bem de todo o seu trabalho; isto é um dom de Deus.”– Eclesiástes 3:9-13.

Tendemos a glorificar a Deus pela conquistas que acreditamos serem as maiores de nossas vidas. Até agradecemos “por tabela” por aquilo que sabemos ser vindo das mãos dele, mas que de tão corriqueiros não damos importância. Mas são exatamente as pequenas coisas que fazem a diferença e trazem sabor à vida. A bênção de acordar todo dia com quem se ama ao lado, de sair para tomar sorvete com a família, de encontrar gente que se gosta. O resto é bônus da misericórdia do Pai.

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