O efeito democratizante das mídias sociais na religião

Alguns domingos atrás, após pregar um sermão sobre a evolução dos rituais de Natal, o pastor Corey Baker (foto) usou seu celular para postar um comentário no Twitter. Líder da Primeira Assembléia de West, uma pequena igreja em Cape Coral, Flórida, Baker tem conta no Twitter, perfil no Facebook, um canal no YouTube, disponibiliza seus sermões como podcasts no iTunes e mantém um blog.

“Sinto que meu trabalho como pastor é fazer contato e relacionar-me com as pessoas”, diz ele. “É para isso que uso essas coisas.”

O use de mídias sociais pelos religiosos está crescendo muito, tanto nas igrejas menores e conservadoras, quanto nas megaigrejas, diz Sarah Bailey Pulliam, editora da revista Christianity Today.

“A preocupação de que as mídias sociais possa prejudicar a reunião das pessoas para adorarem juntas está desaparecendo”, diz ela. “Você tem que usar com cautela, como qualquer outra coisa”, diz Baker. “Não é Facebook que provoca essa desconfiança, são as pessoas.”

O uso de mídias sociais não tem a bênção de todos os líderes religiosos. No mês passado, um pastor de New Jersey chamou o Facebook de um “assassino de casamentos”. Um grupo de rabinos de Nova York escreveu uma reflexão em um blog sobre a necessidade (ou não) de as pessoas fazerem um “jejum de Facebook” durante a Páscoa. Ano passado, o Papa Bento 16 alertou os católicos romanos para não permitem que as relações virtuais se sobreponham às reais.

A igreja Mars Hill, sediada em Seattle, que possui de mais de 10 mil membros em nove locais de reunião diferentes, é uma usuário constante do Facebook, Twitter e YouTube, afirma Nick Bogardus, porta-voz da igreja. Mark Driscoll, seu pastor e fundador (foto), tem cerca de 160 mil seguidores no Facebook e no Twitter, e a igreja possui cerca de 60 mil amigos e seguidores nesses novos meios de comunicação, assegura Bogardus.

Com certeza, as mídia sociais “abrem uma oportunidade para criar relacionamentos de verdade”, acrescenta o porta-voz. Como exemplo, ele menciona uma mãe solteira que visitou a igreja pela primeira vez e postou um agradecimento pelo sermão no Facebook na segunda-feira seguinte.

“Pastor Mark respondeu a ela, dizendo: ‘Por favor, procure a mim ou outro de nossos pastores da próxima vez que vier, assim poderemos nos conhecer melhor'”, lembra Bogardus.

Para o rabino Jeremy Barras, do Templo Beth-El, de Fort Myers, Flórida, o Facebook é uma ótima maneira de manter contato com membros mais jovens da sinagoga. “É incrível, pois você pode telefonar ou mandar um e-mail para eles e nunca receber uma resposta”, diz Barras. “Mas basta mandar uma mensagem no Facebook e você recebe uma resposta em poucos minutos.”

“Ao longo da história, os líderes religiosos sempre foram resistentes às novas tecnologias de seu tempo, seja a imprensa, o rádio ou a TV”, diz Dell deChant, professor e presidente adjunto de estudos religiosos na Universidade do Sul da Flórida, em Tampa. “Mas a era digital parece ter um impacto singular. As redes sociais tendem a ser uma influência democratizante. Todo mundo pode dar sua opinião e geralmente não é assim que a religião funciona”, acredita DeChant.

Howard Coachman, 59 anos, é membro da Primeira Assembléia de West. Ele diz que ter o seu pastor como amigo no Facebook lembra-lhe de editar suas postagens. “Isso me impede de falar o que não devo, porque penso, ‘o pastor Corey pode ler isso'”, afirma Coachman.

Fonte: USA Today

Tradução e edição: Jarbas Aragão. Todos os direitos de tradução reservados. Se for reproduzir, pro favor, cite a fonte.

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