As muitas trevas aguardam a luz

Robinson Cavalcanti

“O povo que caminhava em trevas viu uma grande luz; sobre os que viviam na terra da sombra da morte raiou uma luz” (Is 9.2).

Olhando um pouco para a História constatamos o grande equívoco do otimismo do pensamento religioso e secular do início do século passado. As carnificinas das duas Grandes Guerras, o Holocausto, Hiroshima e Nagasaki falam por si mesmas. Não precisamos abrir o nosso jornal do dia apenas na página policial para encontrarmos as trevas representadas pelo pecado. Você, aleatoriamente, pode abrir a página política (nacional, estadual, municipal), a página econômica, ou, até, a página dos esportes, e as trevas do pecado estão lá, firmes e fortes, cotidianamente.

O grande mérito dos “vazamentos” da WikiLeaks foi tornar mais evidente que o mundo jaz mesmo no maligno: os poderes políticos, econômicos, sociais e militares internacionais se movem sob a dissimulação, a hipocrisia e interesses e métodos escusos. O desdobramento disso poderá ser não um “choque de civilizações”, como preconizava Huntington, mas um “choque na civilização”, que tem que assumir o fato das trevas e desmitificar os ídolos, para se abrir à busca da luz. Se temos, ainda, dúvidas sobre as trevas do pecado, olhemo-nos no espelho e na Lei, que é o espelho da alma.

A palavra do profeta Isaias é a perfeita expressão da realidade de todos os tempos e lugares: “O povo caminhava em trevas”. Para muita gente, graças a Deus, o verbo está no passado mesmo: caminhava! Agora não caminha mais. E por quê? Porque muita gente do povo viu uma luz, uma grande luz.

Vivia na terra a realidade da sombra da morte, que é o salário do pecado, a perdição aqui e na eternidade. Viviam. Agora não vivem mais. E por quê? Porque raiou uma luz, que dissipou a escuridão, substituiu as trevas, e a sombra da morte deu lugar à vida.

O Messias prometido veio para ser a luz do mundo. Maria deu à luz ao Emanuel, o Deus conosco. Havia muita luz, resplendor, na aparição dos anjos aos pastores. A luz nos mostra quem realmente somos; nos leva à fé na Graça, à nova vida e à novidade de vida, nos leva ao Caminho e à Verdade.

Outras luzes são tão efêmeras como as dos pirilampos; outras luzes podem até iluminar um pouco, ou iluminar por um pouco, mas Jesus de Nazaré é a luz do mundo. Nesse tempo, apontemos para a luz e vivamos na luz, no exercício cotidiano da fé, movidos pela esperança, encarnando a concretude do amor.

Porque nós vimos a Luz, e a queremos compartilhar com os que ainda não a viram.

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