“Nadistas” sugerem desconexão de aparelhos eletrônicos

Os tablets e smartphones vêm ganhando o mundo e dando um novo significado ao conceito de multitarefa. E é exatamente essa a principal inimiga dos adeptos do nadismo, movimento que tem recebido atenção no Brasil.

Defensor da ideia de que é necessário que as pessoas parem e deem pausas durante sua rotina, o designer brasileiro Marcelo Bohrer criou o Clube de Nadismo (clubedenadismo.com.br).

No site, ele afirma que o “burn out” –transtorno psíquico que mescla esgotamento e desilusão- que sofreu foi a principal motivação para sua fundação, em 2006.

“Hoje temos cerca de 7.000 membros, pertencentes a todos os Estados”, afirmou Bohrer à Folha.

“GADGETS”

“As novas tecnologias trazem ferramentas que possibilitam que fiquemos conectados durante 24 horas por dia, e mais resistentes ao desafio de equilibrar nossa rotina e um tempo para nós”, diz Bohrer, sobre a popularização dos “gadgets”. “É muito sedutor ter tudo isso à mão, e é difícil a pessoa, por livre e espontânea vontade, desligar o seu celular e passar um tempo off-line”, completa.

Mas Bohrer não é avesso à tecnologia. Ele afirma que os aparelhos estão em sua rotina e são necessários para o trabalho, mas que tenta reservar um tempo longe deles.

“Agora estou de férias e estava há dois dias sem ligar o computador, mas mesmo em horário de trabalho é importante, ao menos uma vez por semana, reservar um momento para desligar tudo. E não pode ser só pela metade, dizer “vou ficar só com este aqui funcionando'”, diz.

“Os computadores têm a tela de descanso, ou seja, a própria tecnologia incorpora uma ideia do nadismo; não há motivos para não fazermos o mesmo.”

REVOLUÇÃO

Bohrer é o autor do livro “Nadismo – Uma revolução sem fazer nada”, no qual defende o nadismo – não só como uma forma válida de aproveitar o tempo, como também de aumentar a qualidade de vida.

O movimento tem embaixadores, sócios que sugerem locais para a prática do nadismo em suas cidades e ajudam na organização de eventos. Existe, inclusive, o Dia Nacional do Nadismo, cuja quarta edição foi realizada no dia 13 de dezembro de 2010, das 18h às 19h30, em diversas cidades do país.

Atualmente, além de trabalhar com assessoria em design, Bohrer dá palestras sobre o movimento do nadismo e qualidade de vida.

NADISMO GRINGO?

Fora do Brasil, uma filosofia similar ao nadismo também é divulgada pelo IINDM (sigla em inglês para “Instituto Internacional para Não se Fazer Muita Coisa”, em tradução livre).

slowdownnow.org divulga o conceito de multitarefa como algo “infeccioso”, que deve ser evitado ao máximo por questões de saúde. “Se você atende o celular durante seu período de meditação, você pode estar com problemas”.

O criador, o escritor Christopher Richards, afirma que, para aumentar a receptividade de seus leitores, a página usa o humor para tratar de um tema sério, que é a necessidade de diminuir o ritmo agitado que a vida e as tecnologias atuais nos impõem.

Mas Bohrer refuta a ideia, explicitando a diferença entre ela e o nadismo.

“Se você simplesmente resolver ir mais devagar, vai ficar para trás, porque o mercado de trabalho impõe um ritmo acelerado. No nadismo, você segue a vida do jeito que é, mas aprende a criar pausas.”

Fonte: Folha

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